19 de setembro de 2008

O Atleticano

"Se houver uma camisa branca e preta pendurada no varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento."

Durante muito tempo, essa frase do escritor Roberto Drummond serviu para definir a personalidade dos torcedores do Atlético.

Mas já faz alguns anos que ela é insuficiente para definir aqueles que cantam: "Clube Atlético Mineiro, uma vez até morrer..."

Tudo leva a crer que, ao contrário de todos os outros times do Brasil, e mesmo do mundo, os torcedores do Galo surgiram antes mesmo que o clube fosse fundado, em 1908. O atleticano é anterior ao Atlético.

Na verdade, tudo se passou, no momento da criação, como se o inconsciente coletivo se materializasse em um grupo de estudantes que trocou a sala de aula de um dia de semana por uma reunião no coreto do Parque Municipal, em Belo Horizonte, há cem anos.

Era o inconsciente coletivo dos que resistem a tudo.

O atleticano é, antes de tudo, um torcedor que resiste. Não é por acaso que, no hino do Galo, a ênfase é muito mais em "lutar" do que em "vencer". A vitória é saborosa, mas a luta não tem preço.

Por isso, muito mais que torcer contra o vento, ele foi criando através dos tempos uma couraça invisível que o protege das crises. Parece que cada derrota e cada tristeza alimentam essa couraça e que, ao invés de o derrubar, o jogam para frente.

Entre o nada e a dor, o atleticano prefere a dor. Ele precisa de emoção, e a busca mesmo quando o time não corresponde a esse sentimento.

O atleticano se aperfeiçoa na fraqueza. Quanto mais fraco, mais forte.

O espetacular time dos anos 80, com Reinaldo e Éder à frente, embala seu cotidiano como um estandarte: a qualquer momento ele pode voltar, trazendo alegria às novas gerações, que ainda não vibraram com um título.

Fabrício Marques

15 comentários:

  1. Mestre Fabrício,
    Agradecemos por compartilhar sua verve literário-jornalística com seus pupilos!
    Uma obje(provoca)cão referente ao último parágrafo: não recordo de títulos do CAM na década de 80; assim como na economia, foi também para o Atrético, a despeito da qualidade dos boleiros da época, uma década perdida.
    Com "o sol na cabeça", espero que você nos brinde, ou melhor, nos embriague com um texto sobre o "Trem Azul".
    Grande abraço,
    Caram

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  2. Mestre Fabrício,
    Agradecemos por compartilhar sua verve literário-jornalística com seus pupilos!
    Uma obje(provoca)cão referente ao último parágrafo: não recordo de títulos do CAM na década de 80; assim como na economia, foi também para o Atrético, a despeito da qualidade dos boleiros da época, uma década perdida.
    Com "o sol na cabeça", espero que você nos brinde, ou melhor, nos embriague com um texto sobre o "Trem Azul".
    Grande abraço,
    Caram

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  3. Ah não Fabrício, que sutilidade pra dizer aos atleticanos que eles aprenderam a conviver coma derrota.

    Que simpatia a sua ao confortar os torcedores jovens pela falta de títulos.

    Como cruzeirense que sou, afirmo: poderia ter sido mais polêmico! :D

    Como sua aprendiz... você é foda! :D

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    1. HUMMMMM...NOJENTAAAAAAAAA!!!!!

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  4. Grande mestre!!! Soube mesmo arrancar uma definição fabulosa do que é ser Atleticano.

    Abraços - Gilson de Souza

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    1. É ISSO AÍ, GALO DOIDOOOO!!!!

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  5. Olá Fabrício !

    Faço o 4º período de jornalismo no UNIBH. Ainda devo ter o prazer de ter aula com vc...

    Muito bacana o texto...e concordo plenamente....

    O atleticano vive o Atlético intensamente e a cada sofrimento, sua paixão pelo clube aumenta.

    Realmente que nada pode tirar de cada torcedor deste clube, o fanatismo e o amor pelo manto alvinegro...

    Um abraço!

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  6. Oi, Fabrício!

    O blog ganhou muito com a sua participação, pois vc consegue com tanta sensibilidade fundir jornalismo com a literatura, e ainda por cima mostrar o amor que vc sente pelo Galo. Parabéns pelo texto!

    Abração,

    --------------------------------
    http://cafecomnoticias.blogspot.com

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  7. Grande Fabrício,

    belo texto, define muito bem nossa torcida que mesmo diante de tantos tropeços ainda continua fiel e apaixonada pela instituição.

    Abraços

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  8. Excelente texto Fabrício. Parabéns

    ...pena que com o passar dos anos diretorias incompetentes estão cada vez mais destruindo com a paixão da torcida pelo seu clube.
    É Galo...faz novamente essa massa feliz!
    Abraços!
    Rodrigo Bortolini

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  9. Grande Mestre Fabricio,
    Simplesmente, perfeito esse texto.
    A sua colocação em relação ao meu glorioso foi excelente.
    Me vejo nessas citações...
    "O atleticano se aperfeiçoa na fraqueza. Quanto mais fraco, mais forte."
    "O atleticano é antes de tudo um torcedor que resiste."
    Parabéns,sucesso e obrigada por todo apreendizado.
    Um grande abraço da sua ex-aluna e sempre ATLETICANA..
    Gabrielle Freitas

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  10. Mestre: a opinião de um seguidor é de um texto realmente feito por quem entende do assunto. Mas acho que vc não foi muito feliz ao escolher o tema para tal!
    rsrsrsrsrsrs
    O Atléticano está ainda mais conformado agora.
    Abraços

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  11. Fabrício em suas palavra conseguiu retratar perfeitamente o torcedor atleticano. O torcedor nasce torcendo para o galo antes mesmo de conhecer o time. "Quanto mais fraco mais forte" FATO, somos assim é nas dificuldades que nos tornamos mais resistentes!

    Abraço para o amigo-professor de quem sou fã Fabrício Marques!

    Camila Kifer

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    1. LINDO CAMILA, concordo em número, gênero e grau. PARABÉNS.
      Também sou fã di Fabrício..

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  12. Estou achando que dentro do seu peito bate um coração alvinegro, viu? Porque só torcendo para o Galo para traduzir tão perfeitamente o que é ser atleticano! Parabéns, texto lindo!

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