30 de julho de 2009

Espanto e dúvida


Um Atlético que lembrou os piores tempos recentes. Essa a síntese do time que perdeu por 3 a 1 para o Flamengo pela 15ª rodada do Brasileirão ontem no Maracanã. Chutões para a frente numa tentativa insensata de ligação com o ataque, passes errados, jogadores desligados e intimidados numa noite em que não se salvou ninguém. De Aranha, muito ruim, a Roth, gerando insegurança aos berros.

Aí o que restou à torcida do Galo foi ver o Flamengo sobrar em campo e imaginar qual seria o tamanho do vexame ao final do tempo regulamentar.

Até outro dia, o dilema do Atlético era atuar contra times fechados, como o Goiás. Mas o Flamengo joga aberto. Time de histórico toque de bola.

A torcida alvinegra assistiu a um Júnior que parece não saber o que é o Maracanã ou a importância de um jogo contra o Flamengo quando se está lutando pela liderança e saindo na frente, ainda que num lance de pura sorte.

Que recado deixou para Dunga o Tardelli convocado? O time tem alguém que saiba trabalhar a bola no meio de campo? Não é o caso de se insistir com Renan Oliveira?

Perguntas e mais perguntas. Imagino que o twitter do Alexandre Kalil colecionará algumas. Interrogações que parecem sinalizar não sobre as chances do Galo se manter na liderança, mas em que ponto da tabela de classificação estará quando a última teimosa ilusão der lugar à paciente realidade.


Alexandre Freire

28 de julho de 2009

Tardelli nas alturas


Sete anos se passaram desde a Copa de 2002. Sete anos sem um jogador do Atlético na Seleção. O último convocado foi Gilberto Silva. Campeão do Mundo, depois da Copa, trocou o Galo pelo Arsenal da Inglaterra.
A convocação vai deixar Tardelli de fora de pelo menos uma partida importante no brasileirão. Mas a torcida do Atlético não está nem aí. Comemora como um gol o fim deste jejum de sete anos.
E eu encontro mais motivos para que a torcida comemore. Diego Tardelli não está passando por uma boa fase. O último gol que marcou, contra o Fluminense, a bola bateu nele e entrou. No jogo seguinte, contra o Goiás, a bola bateu nele e não entrou.
Todo atacante precisa ter auto-estima elevada. A de Tardelli andava em baixa. Dunga a ergueu. Motivado e autoconfiante, Diego Tardelli vai se arriscar mais, chutar mais, cabecear mais e fazer mais gols. Será???
Contra o Flamengo, nesta quinta-feira, veremos se é só mais uma teoria de botequim.

Tardelli e Renan Ribeiro comemoram

(Renan Ribeiro. Foto: Globoesporte)
Dois acontecimentos importantes para o Atlético marcaram a terça-feira. A convocação do atacante Diego Tardelli e a passagem do Galinho às semifinais da Taça Belo Horizonte de Juniores.

Tardelli entrou na lista de Dunga para o jogo amistoso do Brasil contra a Estônia em 12 de agosto. Atleticanos que enxergam conspirações do poder central do futebol contra os times mineiros acham que a principal razão para a convocação do atacante alvinegro é tirá-lo do jogo contra o Palmeiras, que acontece no mesmo dia à noite no Mineirão.

O artilheiro do Galo ficou feliz e entendeu a convocação como o reconhecimento de seu trabalho no Atlético, esforço que foi posto em dúvida em outros times grandes pelos quais passou, como Flamengo e São Paulo. De fato, a centralidade e o bairrismo da imprensa no eixo Rio-São Paulo tornam mais difícil para um atleta que jogue fora desse eixo aparecer.

Do ataque para a defesa, o goleiro do time júnior, Renan Ribeiro, que também é da Seleção Brasileira Sub-20, teve sua noite de glória no Castor Cinfuentes, em Nova Lima, onde o Galinho passou às semifinais da Taça BH de Futebol da categoria, após vencer o Botafogo na disputa de pênaltis. No tempo normal, o jogo ficou em 1 a 1. O goleiro do Galinho fez duas belas defesas, e o alvinegro de Minas despachou o carioca por 4 a 3.

O Galinho pega o Grêmio numa semifinal. A outra vaga sai de dois jogos nesta quarta: São Paulo x Internacional e Flamengo x Santos.

Do mesmo modo que Tardelli por causa da convocação, Renan Ribeiro comemorou muito a vitória do Galinho no torneio nacional. O goleiro declarou seu amor ao time depois do jogo, batendo várias vezes no peito.

Finalmente o Atlético deixa pra trás os tempos sombrios que começaram no início desta década e culminaram com o rebaixamento em 2005. O alvinegro recupera seu lugar de destaque entre os maiores times do Brasil, já não mais apenas pela torcida que tem.

Alexandre Freire é jornalista

A rotina dos boleiros


Segunda-feira. O dia da preguiça. No reino do futebol, o dia da ressaca. Toda hora é hora de comentar pela décima vez a rodada do fim de semana.Mas tudo já passou, agora é pensar nos próximos desafios.

Terça-feira. A rotina já foi instaurada. No reino do futebol, dá pra ver algum jogo da segunda divisão só pra não perder o hábito de curtir a bola rolando. (Isso se o seu time está na elite. Se não estiver, terça pode ser O dia de assistir a uma partida).

Quarta-feira. Metade da semana se foi. No reino do futebol, dia de checar as escalações e os confrontos da noite. Seu time joga? Oportunidade de colocar na mala mais três pontos. Joga em casa? Chance de sair do trabalho direto pro estádio. A quarta-feira não passa em branco.

Quinta-feira. O dia em que você já consegue sentir os ares da sexta-feira. No reino do futebol, dia de terminar a rodada. O rival que está colado na tabela pode ter perdido ontem. É a chance de arrebatar três pontos e respirar alividado. Se o jogo é fora e não dá pra ver na TV, não custa ligar o rádio ou checar um site na internet. Afinal, em terreno de pontos corridos, a vitória tem que ser semeada toda rodada.

Sexta-feira. Mais algumas horas e adeus trabalho até domingo. No reino do futebol, dia de guardar as energias. (Ou se sofrer com mais uma rodada da série B).

Sábadão. Aí cada um aproveita como pode. No reino do futebol, com os primeiros resultados da rodada, surge um líder provisório, uma ou outra zebra e dá pra imaginar em que posição pode ficar o seu time amanhã. Ou hoje mesmo já teve o jogo, você já vai curtir a noite feliz ou com muita raiva pelo empate em casa ou por uma irritante derrota.

Domingo. Começa a semana na teoria. Na prática, o dia oficial do descanso. Como no reino do futebol é o dia D, o repouso termina logo. Depois do almoço. já é hora de se preparar para “le grand finale” da rodada. Com o apito inicial, aí vai o senta-e-levanta, os xingamentos, o coração a mil e, quem sabe, o(s) sonhado(s) grito(s) de gol. Feliz ou triste, a noite de domingo chega para decretar o fim do fim de semana. Hora de assistir ao “Meio de Campo”, rever os principais lances e dormir com a dor ou a delícia de torcer para o seu time.


Carol Delmazo é jornalista do "De Salto Alto", quadro do Meio de Campo

27 de julho de 2009

90º clássico

(Foto: Maracanã, 1980)

Atlético e Flamengo enfrentam-se pela nonagésima vez nesta quinta-feira, na 15ª rodada do Brasileirão. Os rubronegros vêm embalados pela vitória sobre o Peixe em Santos na milésima partida pelo maior torneio nacional. Apesar da crise permanente que ronda a Gávea, o técnico interino Andrade conta com o apoio dos jogadores e vai querer vencer de novo diante da sua torcida.


Os alvinegros sabem que o confronto não significa apenas uma nova oportunidade de diminuir a vantagem flamenguista nos jogos entre os dois grandes. Computadas as 89 pelejas anteriores, o Urubu tem seis vitórias a mais e oito gols de vantagem.


O Galo, contudo, está na ponta da tabela e, apesar de ter perdido para o Goiás no Mineirão, sente-se em casa no Maracanã. Afinal, foi lá que Dadá parou no ar, que Reinaldo emudeceu as hostes adversárias duas vezes na final de 1980 e que Leandro Oliveira comandou um sonoro 3 a 0 no ano passado.


Há clássicos e clássicos. Atlético e Flamengo, na minha opinião, é o maior para o Galo, superando em expectativa os embates com a Raposa. Não sei se pela combinação de cores tão belas em campo, não sei se pelas torcidas inigualáveis, não sei se pela trajetória épica que amarra os destinos dos dois clubes.


Verdade que para quem viu Reinaldo de um lado e Zico do outro, Tardelli e o Imperador não fazem cair o queixo. Mas, como diria um motorista de TV, é o melhor que tá tendo.


Quinta-feira, 21 horas, Maracanã. O futebol tem encontro marcado com a história.


Alexandre Freire é jornalista

Queremos atacantes !!!

As torcidas de Cruzeiro e Atlético estão unidas. Calma lá. Estão unidas na carência, de gols.
O Atlético dominou o Goiás durante 90 minutos, mas não apareceu ninguém para jogar a bola pro fundo da rede. Claro, o Atlético ainda é líder, mas agora seriamente ameaçado.
No Maracanã, o Cruzeiro foi eficiente em criar oportunidades e mais ainda em desperdiçá-las. Claro que o empate acabou sendo um belo resultado porque o Fluminense perdeu um gol feito aos 48 do segundo tempo.
Fato 1 : Tiago Ribeiro e Wellington Paulista não estão nas graças da torcida do Cruzeiro já há um tempo.
Fato 2: Diego Tardelli e Éder Luís estão fazendo um esforço enorme para irritar a massa atleticana.
Fato 3: Atentas, as diretorias dos Clubes já correram atrás: Pedro Odoni, Reintería e Guerón chegam para saciar a fome de gols dos torcedores mineiros.

25 de julho de 2009

Fiquei assustado!

foto: Afp

A imagem nos traz inquietação! O olho esquerdo fechado e o direito com ar assustado.
Não era para menos. Um acidente a 280 km/h que também deixou parte do Brasil de olhos arregalados. Na minha cabeça um filme que passou há 15 anos e não sai do meu pensamento. No dia 1º de maio, de 1994, em Ímola, em uma curva chamada Tamburello.
As imagens de hoje eram muito parecidas com as daquele ano. Um carro destruído, ambulância, médicos na pista, um capacete quebrado e um brasileiro caído na pista de F1.
Depois da curva Tamburello eu tinha perdido um pouco da paixão pela F1. Felipe Massa foi quem me fez acordar novamente cedo para ver uma corrida. Não pelos títulos, que ainda não vieram. Mas pela garra com que defende o nome do Brasil. Afinal, não é qualquer um que coloca no macacão as cores do país, como fez o piloto em um GP no Brasil.
Em um esporte em que tudo é tão veloz, aqueles minutos na Hungria, em que não tínhamos notícia de Felipe Massa, eram longos.
Ele passa bem! Não terá condições de correr amanhã. Minha torcida continuará com ele, mesmo que em um quarto de hospital.

24 de julho de 2009

Líder na tabela - e fora dela!

Atlético vence Fluminense por 2 a 1. Foto: Emmanuel Pinheiro

Mesmo sem um futebol de encher os olhos, o Atlético foi superior ao Fluminense.

Espetáculo? Só mesmo por parte da torcida atleticana, que quebrou seu próprio recorde nesse Brasileirão, com 55.769 pagantes.

Tá, o time não jogou tão mal assim. Só que pode melhorar. O ataque e a defesa estão bem, mas os cruzamentos e as jogadas aéreas ainda deixam a desejar.

Serginho abre o placar: e agora, Celso Roth? Foto: Emmanuel Pinheiro

Os gols só saíram no segundo tempo. Serginho abriu o placar, de cabeça. Diego Tardelli ampliou, aproveitando a falha de Diguinho. E numa jogada irregular de Kieza, Renan acabou fazendo, contra, o de honra dos visitantes.

Aliás, por pouco o árbitro paulista Wilson Luiz Seneme não tirou a vitória alvinegra. Deixou o jogo correr sem marcar faltas a favor do Atlético. Saiu de campo vaiado.

Não posso me esquecer do goleiro Aranha – o nome do jogo, com oito defesas difíceis.

Valeu pelos três pontos. Agora, o Galo é mais líder do que nunca.

Mesmo marcado, Tardelli deixou sua marca. Foto: Emmanuel Pinheiro

E vale registrar que por causa das autoridades – que “encolheram” o Mineirão – A Massa não vai poder superar a marca do Flamengo, que levou 68.217 pessoas ao Maracanã, na vitória por 2 a 1 sobre o Atlético-PR, pela 4ª rodada.

A capacidade máxima do Governador Magalhães Pinto hoje é de 64.800 torcedores.

Mesmo assim, tenho a certeza de que, no domingo, o palco do futebol mineiro será novamente tomado pelos fiéis seguidores do Clube Atlético Mineiro.

Já são seis partidas como mandante, com um total de 240.462 torcedores em campo (uma impressionante média de 40.077 pessoas por jogo).

Nesse quesito, o Galo também já é líder. Com a partida de ontem, a torcida alvinegra superou a do Flamengo, que levou um total de 208.418 torcedores em seus sete jogos como mandante.

É legal ver que os atleticanos abraçaram a causa do presidente Alexandre Kalil. Estão de parabéns e merecem ser recompensados por isso.

Por enquanto, com vitórias.

Em breve, quem sabe, com o mais importante título nacional...

Fábio Pinel é apresentador do programa Meio-de-Campo.

O Aranha Negra do Galo


Kafunga, Mão de Onça, Marcial, Mussula, Careca, Renato, Mazurkiewicz, Ortiz, João Leite, Taffarel, Veloso, Diego, Bruno...

Cada atleticano que puxar pela própria memória (e pela lembrança dos mais velhos) descobrirá que o Galo tem, na sua história centenária, grandes goleiros, ídolos da torcida, ocupantes destacados desse espaço marcado pela solidão. Pois como disse Nélson Rodrigues, só ao arqueiro não é permitido falhar.

Cada dois atleticanos discordarão da lista. Serão sempre implacáveis com o guarda-metas, o goalkeeper, o camisa 1. As pontes, os mergulhos, as bolas encaixadas sem rebote, as saídas perfeitas do gol, voo de pássaro sem asas para espantar a esfera de couro, pegar um pênalti, fazer aquela defesa milagrosa. Tudo isso será esquecido diante do erro de quem não pode errar.

Há em torno do goleiro algo único dentro do futebol. Ele e ele apenas pode abraçar a bola. Agarrar-se a ela, encaixá-la, marcar encontros improváveis, diante de nossos olhos, assaltando nossos corações.

Goleiros são culpados, abominados, execrados. Bodes-expiatórios, como o grande Barbosa em 1950, diante de um Maracanã mudo de ressentimento e dor. De quem é a frase que diz que onde o goleiro pisa é tão triste que nem a grama nasce?

Goleiros apontam para o céu, ajoelhados, em agradecimento a um Deus que também brinca de torcer. Como Taffarel em 94.

Ainda que os goleiros estejam presos à grande área, esse pequeno território em que a ação dramática do futebol atinge seu clímax, eles vivem de fato num mundo de sonhos.

Ontem, Aranha, o novo ídolo do Galo, cujo nome homenageia o grande Yashin, o "Aranha Negra", goleiro da então poderosa União Soviética no auge da Guerra Fria, fez o atleticano sonhar.

Depois que as buzinas se esgotaram e os gritos se tornaram roucos, os atleticanos dormiram sonhando com um tempo novo. Tempo em que todas as bolas adversárias encontrarão descanso no abraço do keeper alvinegro.

A galeria de goleiros do Clube Atlético Mineiro parece finalmente ter digno ocupante em tempos felizes de liderança isolada no mais belo torneio do mundo.
Alexandre Freire é jornalista

21 de julho de 2009

Ronaldo. Ponto final.


Ele chegou despojado, com um sorriso no rosto, de havaianas, pronto para eternizar sua passagem por Minas. Colocou os pés na calçada da fama do Mineirão, sorriu mais uma vez e voltou para o vestiário do Corinthians. Há 16 anos, naquele mesmo estádio, o vestiário era outro. O momento era outro. Com a camisa azul celeste, Ronaldo começava uma trajetória única que culminou num apelido quase inquestionável.

Fenônemo. Isso em português, porque a palavra teve que ser usada em várias outras línguas. Se foi no Cruzeiro que ele despontou, foi no mundo que ele se consagrou. Nos clubes holandeses, italianos e espanhóis. Usando a camisa da seleção brasileira por onde a vestiu. Sua genialidade emocionou os quatro cantos do planeta. Quem viveu, viu, e nunca vai esquecer. E quem está vivo certamente ainda verá.

Deixou pra trás contusões e confusões. Para um jogador cujo peso é um dos temas preferidos da imprensa, o que pesou mesmo foi a vontade de seguir em frente. Ronaldo não precisa provar mais nada pra ninguém quando o assunto é superação. Basta ver o que ele anda fazendo com a camisa do Corinthians. No último fim de semana, foi a vez do público mineiro assistir ao vivo e a cores.

Não, ele não corre o campo todo. Não, ele nem sempre joga a partida toda. Mas precisa? Ele sabe decidir. Ele leva a torcida ao delírio. Em outras palavras, ele faz gol e mexe com a emoção dos torcedores. E pra quem ama futebol, precisa de mais alguma coisa?

Carol Delmazo é jornalista e faz "De Salto Alto" para o Meio de Campo

20 de julho de 2009

Kalil e Perrela: dupla de ataque?

Galo na liderança, Cruzeiro na zona de rebaixamento. Um amigo cruzeirense brincou: “alguma coisa está fora da ordem”, lembrando a música de Caetano Veloso.

Zoar o outro faz parte do universo do futebol e não tem nada de mais. Soma no processo de manutenção da sociabilidade e toma o lugar de falas que, de outro modo, versariam sobre o clima ou algum fato menos complicado no topo da agenda de notícias.

Seria legal que os dirigentes de futebol em Minas ficassem acima desse comportamento que pertence apenas ao universo lúdico das torcidas. Kalil e Perrela deveriam ser cúmplices em lutar pelo futebol mineiro, freguês histórico das lambanças de arbitragem. Fosse outra a tal ordem mundial da letra de Caetano, Raposa e Galo desfilariam mais estrelas amarelas ao peito e mais troféus (ou algum troféu) da Libertadores.

Voltando ao Brasileiro e à frieza dos números da Série A de 2009, levantamento preliminar feito pelo Fábio Pinel, da equipe do “Meio de Campo”, mostra que as performances do alvinegro e do clube celeste indicam que um tem motivos para manter o foco e outro para se preocupar. Se o Atlético não deve se iludir com os percalços que estão adiante – pois agora está todo mundo 100% envolvido na competição –, o Cruzeiro não deve subestimar seu mau rendimento.

Ao final da 12ª rodada, o time da Toca tem 30% de aproveitamento. Nas edições passadas do Brasileiro por pontos corridos, caíram os times que ficaram abaixo dos 34,2% (menor ponto de corte, em 2006) e 38,9% (maior, em 2005). Claro que ninguém imagina a Raposa na segundona com o elenco atual e a estrutura que tem, mas aí estão os números, e eles não torcem pra ninguém.

No topo de cima da tabelas de anos anteriores, foram campeões o Cruzeiro em 2003, com o maior rendimento (72,5%), e o Corinthians, com o menor, 64,3%, em 2005. O Galo hoje tem 69%. Só a Raposa, em seis edições dos pontos corridos, rendeu mais.

As piadas vão continuar nas ruas. O importante é que o empenho dos dois grandes de Minas avance dentro das quatro linhas e, não custa lembrar, nos bastidores, junto às entidades que controlam o futebol. Kalil e Perrela precisam formar aí uma dupla de ataque.

Alexandre Freire é jornalista.

15 de julho de 2009

Elivélton, um herói sem ingresso


Eram quase 30 minutos do segundo tempo. Nonato cobra escanteio pela esquerda.
A bola viaja e após um desvio do beque adversário vai parar na entrada da grande área.
“Deixa, Gottardo. Deixa, Gottardo. É minha.”

Depois de berrar essa frase para o companheiro, o canhoto Elivélton acerta um chute de direita e faz o gol chorado que garantiu o bicampeonato da Libertadores para o Cruzeiro em cima do Sporting Cristal, no dia 13 de agosto de 1997, dentro de um Mineirão com mais de 100 mil pessoas.

O gol transformou Elivélton em símbolo daquela conquista e criou um vínculo forte com o clube celeste. Laço que ele faz questão de manter até hoje.

Quase 12 anos após sair do Mineirão ovacionado, Elivélton, 37 anos, não estará hoje no estádio para ver final da Libertadores contra o Estudiantes. O motivo: assim como milhares de torcedores anônimos, não conseguiu um ingresso para a finalíssima.

O filho, Gabriel, 12 anos, nascido nas proximidades daquela Libertadores da qual o pai foi herói, se tornou cruzeirense apaixonado.

Elivélton e o filho terão de acompanhar o Cruzeiro em campo contra o Estudiantes de Alfenas, no Sul de Minas, a 340 quilômetros de Belo Horizonte. Ontem à noite, por telefone, Elivélton concedeu entrevista ao blog.

O principal assunto foi a finalíssima contra o Sporting Cristal, em 97, mas ele ainda falou que deseja jogar por até mais quatro anos e também comentou sobre a vida em Alfenas.
Elivélton, você fez o gol do título que garantiu o bicampeonato da Libertadores para o Cruzeiro, em 97. Como é a sua relação com o clube hoje, quase 12 anos depois daquela decisão contra o Sporting Cristal?
Tenho uma relação muito especial com o Cruzeiro. Meu filho Gabriel é cruzeirense e vamos torcer bastante contra o Estudiantes aqui em casa.

Porque vocês não virão ao Mineirão?
Estamos sem ingresso. Estive a última vez em Belo Horizonte em 2007, sendo homenageado pelo título de 97. Depois disso, não tive mais contato com ninguém do Cruzeiro. Gostaria de estar no Mineirão com meu filho. Mas vamos estar em casa torcendo e muito pelo Cruzeiro.

Tem palpite para a decisão?
Jogar contra os argentinos é duro. Vamos lá. Vou arriscar 1 a 0. Jogo complicado demais, com título do Cruzeiro.

Voltando em 1997. O que você lembra daquela decisão?
Parece que foi ontem. Não esqueço do gol. Está muito claro na minha mente. Eu saí correndo, atravessei todo o gramado do Mineirão e fui abraçar o Dida, que tinha feito uma defesa extraordinária um pouco antes.

Elivélton, gostaria que você comentasse um pouco mais o instante do gol, relembrando como estava o clima da partida, a tensão…
Como nós empatamos no Peru por 0 a 0, outro empate levaria a decisão para as penalidades.
Ninguém queria. Pênalti é loteria. A gente olhava um para o outro e sentia que estávamos preocupados com o 0 a 0, pois ninguém sabia o que poderia acontecer. Aí, aos 30 minutos do segundo tempo, pintou aquele escanteio que o Nonato bateu. Estava no rebote. O zagueiro deles desviou de cabeça e vi que a bola sobraria no lado direito da grande área. O (Wilson) Gottardo (então zagueiro e capitão celeste) quase pegou. Gritei para ele: “Deixa, Gottardo. Deixa, Gottardo. Essa é minha.” Agora, não deu para pegar de canhota, que é meu forte. Peguei de direita e o chute saiu com muito efeito. Para mim, isso atrapalhou o goleiro deles.
Depois disso, foi uma alegria enorme e conquistamos um título importantíssimo na minha carreira.

Você imaginou que poderia fazer o gol do título?
Eu sabia que faria um gol contra o Sporting Cristal. Não imaginava que fosse o do título, mas tinha o palpite que faria. Deus me abençoou.

Retornemos para hoje. Você está aposentado?
Não. Fiz 37 anos agora em junho e ainda quero jogar, quem sabe, até uns quatro anos mais.
Disputei a última Série A3 do Paulista pela Francana, de Franca. Sempre me cuidei bastante e estou em ótima forma. Fui artilheiro da Francana com dez gols no campeonato (a equipe não conseguiu o acesso para a Série A2). Recebi algumas propostas para disputar a Série C do Brasileiro, mas ainda estou estudando. Posso, inclusive, voltar para a Francana, onde tenho condições de desenvolver meu trabalho.

E a vida em Alfenas? Adaptado?
Cidade sossegada e boa demais para se morar. Gosto daqui. Tenho a Elivélton Sports Center, que é administrada pela minha esposa (Jocélia). Também temos uma loja evangélica.Estou curtindo mais a família e trabalhando junto com a minha esposa.
Pedro Blank é jornalista

14 de julho de 2009

Deixaram o homem trabalhar


Adilson Batista e Mano Menezes são os dois técnicos que, há mais tempo, comandam suas equipes no futebol brasileiro. O levantamento está na Folha de São Paulo desta terça, 14 de julho. São 19 meses de Adilson no Cruzeiro e de Mano no Corínthians. Não pode ser apenas coincidência que o Corínthians ganhou a Copa do Brasil e que o Cruzeiro está na final da Libertadores. No caso dos treinadores, o resultado precisa de tempo.
Adilson cansou de ouvir o coro de "burro, burro" no Mineirão. Viveu momentos delicados como a eliminação da Libertadores no ano passado. Mas a direção do Cruzeiro soube resistir ao gosto de sangue na boca dos torcedores. Segurou Adilson. O resultado está aí, depois do tempo necessário.

11 de julho de 2009

Promessa de felicidade


Começou o Brasileirão. Agora, é pra valer. Copa do Brasil na história e Libertadores a um jogo da sagração do Cruzeiro, começou o maior campeonato do mundo. O mais belo, o mais emocionante. Envolve um país cortado de paixões que não cabem em nenhum esforço de representação.

Ontem, o Palmeiras lembrou ao Brasil que o Verdão, sem o Luxemburgo, ficou melhor. Demoliu o Náutico com 4 a 1 e vai ter ótima noite de sono muito próximo do topo do panteão dos maiores. A estrela solitária está em ascensão. Venceu o Avaí na casa do adversário e dá sinais de que vai rumo à primeira página da tabela de classificação. A surpresa, como anotei nesta seção depois da goleada sobre o Galo, é o Barueri. Leva ainda a pecha de azarão, mas tem obtido resultados surpreendentes.

E hoje? Bom, hoje tem Flamengo e São Paulo, por exemplo. Ou, que tal, Grêmio e Corinthians?

Tem também o Galo contra um arquirrival que desdenha da série A no momento. Visa ao maior torneio do continente para colocar três troféus na coleção. O time dos Estudiantes é o grande outro no momento. O Clube Atlético Mineiro, centenário e respeitável, deve mostrar humildade, que é a virtude dos verdadeiramente grandes. Como ele sabe que é.

Celso Roth entra em campo com o desafio de acabar com a hegemonia celeste em Minas. E sabe que, se uma vitória vai ser colocada na conta da obrigação, uma derrota terá custo alto. Nada que o ameace. Como o próprio Adílson é prova e Ney Franco ilustra, vale a pena confiar no trabalho de longo prazo de um treinador sério. Mesmo que o alvinegro das Gerais venha a perder, a estrada continua, é longa e deve ser trilhada com os olhos no jogo que vem depois e o coração na ponta da chuteira.

Adílson Batista, o estrategista do momento, põe em campo um time misto do Cruzeiro. Relaciona, contudo, a maioria dos amuletos celestes. Poupa com inteligência a força máxima da Raposa, mas astuciosamente tem seus ases na manga.

Jogo de grandes é assim. O melhor mesmo é comemorar a decisão das autoridades de não matar a cultura em nome de um duvidoso projeto de segurança, assistindo ao jogo com um grito preso à garganta e uma promessa de felicidade.

Alexandre Freire é jornalista

9 de julho de 2009

Futebol-poesia


Tá certo que num país colonizado pela mídia do eixo Rio-São Paulo, qualquer espirro que alguém dê no Flamengo ou no Corinthians tenda a sair de escala e ser reverberado país afora. Ontem, contudo, Ronaldo “Fenômeno” mostrou de novo que não tem o epíteto entre aspas à-toa.

Na vitória do Timão sobre o Fluminense por 4 a 2, jogo tardio da nona rodada do Brasileirão, o ex-jogador do Cruzeiro fez três gols que refletem seu talento incomum. Valeram-lhe elogios rasgados na mídia e uma cornetada de Carlos Alberto Parreira, escalando o camisa 9 no time de Dunga em 2010.

Ronaldo é um desses atacantes que lembram a referência de Chico Buarque ao “senso diagonal” do homem-gol na música “O Futebol”. Em si, a expressão não diz nada objetivamente, como convém à poesia, suponho. Mas há algo no deslocamento do Fenômeno que lembra a discussão do cineasta Píer Paolo Pasolini, citada por José Miguel Wisnik em seu livro Veneno Remédio.

O diretor de cinema italiano comparou, num texto de 1971, o futebol europeu ao futebol-prosa e o latinoamericano ao futebol-poesia (veja aqui).

Ontem a mídia carioca-paulistana não exagerou. Parabéns para ela. Fenômeno foi verdadeiramente fenomenal. A etimologia desta palavra indica aquilo que se apresenta aos nossos sentidos. Os olhos, de fato, fizeram festa com os gols do novo ídolo da Fiel.

Alexandre Freire é jornalista

8 de julho de 2009

O Favorito?

O atacante Kléber que estará em campo contra o Estudiantes esta noite



Se há um favorito para a decisão da Taça libertadores da América, que começa hoje em la Plata na Argentina, ele não deveria existir. O Cruzeiro tem melhor conjunto e melhores jogadores do que o Estudiantes. Mas berimbau não é gaita e futebol não é basquete. Tudo pode acontecer nesta decisão, pelo simples fato de ser uma decisão. Nervos, coração e estômago valem tanto quanto pernas , braços e neurônios. Graças a este espírito de decisão 43 recordes mundiais foram quebrados nos jogos olímpicos de Pequim. É o homem diante do seu destino. No caso de hoje são 22 homens. Façam suas apostas senhoras e senhores.

4 de julho de 2009

Cruzeiro faz até torcida adversária cantar na derrota.

A imagem e, principalmente, o som da torcida do Grêmio cantando diante de uma eliminação irreversível não me saem da cabeça. Não era um grupinho de torcedores era o Estádio Olímpico inteiro que cantava.
O que poderia significar este gesto esquizofrênico que rimou derrota com festa ? Com certeza não só esta rima imperfeita.
Desconfio que a inspiração partiu do adversário: o Cruzeiro. Um time forte, com um jeitão de imbatível. Diante de um inimigo assim, a derrota será iminente desde o primeiro minuto de jogo. No fundo no fundo, a Torcida do Grêmio sabia que era uma missão impossível conseguir aquela vaga na final. Então, quando o fato foi consumado, ainda na primeira etapa , os torcedores assimilaram o golpe e se recuperaram em tempo recorde. Antes do final do jogo já estavam cantando felizes da vida.
Desconfio que o Cruzeiro seja hoje o melhor time do Brasil. Se conquistar a Libertadores a desconfiança vai virar certeza.

Charge Fidusi


3 de julho de 2009

Renan Oliveira de volta?

Não sei se ele vai jogar. A memória que tenho de Renan Oliveira é ele parado, numa das goleadas que o Galo tomou da Raposa. Diante dele, Fábio, o super-goleiro do Cruzeiro. Tudo isso se passa numa fração de segundos. Leandro numa ginga de corpo desconcerta o goleiro celeste, mas um capricho do destino faz a bola bater na trave. No instante seguinte, tudo se precipita como se o jogo tivesse saltado do modo slow motion para a velocidade normal. Talvez a nossa cabeça já esteja viciada em rever o lance como na TV. De vários ângulos.

No domingo, o Galo pega o Botafogo, laterna, no Mineirão. Para um amigo botafoguense – e atleticano fanático em Minas – prometi que torceria por um empate, mas por desencargo de consciência disse que achava que o Fogão levaria uma sapatada.

Digo isso porque o glorioso anda evoluindo. Roth trabalha. Há um elenco que é meio a conta do chá, mas que tem achado o caminho do gol, ressalva feita ao jogo contra o Barueri, que até hoje estou sem entender.

Deixo as análises de fragilidades e potencialidades, a dimensão psicológica, a tradição aos especialistas. O Botafogo tem treze vitórias em jogos contra o Galo. O time de Lourdes venceu dez vezes. Nove empates testemunham o equilíbrio. Acho que será um jogão – duelo de alvinegros.

Quando eu era moleque tinha mania de ficar admirando os escudos. Os emblemas do Atlético e do Botafogo têm a forma do coração. Sempre tive simpatia pelo time da estrela solitária, no centro geométrico daquele espaço enorme que é a glória de um escrete que já emprestou um ataque inteiro à Seleção Brasileira numa época que nem era ainda a Seleção Canarinha. Ou talvez já fosse. E com Garrincha de lambuja.

O do Galo, tinha mania de desenhar. Estava em quantas páginas de cadernos. Fruto de horas ociosas no Colégio Estadual Central, em que em vez de prestar atenção às aulas, sonhava com uma colega de sala de cabelos louros e os momentos de perseguir a bola de futebol de salão nas quadras. Nem era futsal ainda.

Variava a largura das listras, caprichava no traço da borda de cima, que lembra um brasão, as linhas verticais paralelas como as laterais do campo, o perfeito contraste que de tanto ser perseguido com lápis 2B ameaçava rasgar o papel.

Isso tudo para dizer que o momento é de Renan Oliveira, jogador cerebral que pode reeditar no Galo uma tradição que está sem herdeiros desde que Reinaldo Lima pendurou as chuteiras. Acho que a frieza dele pode se encaixar bem num Atlético que vai ganhando a cara do treinador gaúcho. O Galo sempre foi o time da pegada em Minas.

Domingo é dia de defender a liderança do Brasileiro. Do Brasileiro, eu disse. Momento crucial para o moral do time, que depois da surra do Barueri vestiu de vez a carapuça de cavalo paraguaio. Não acho que o Galo seja. Com um pouco de disciplina tática, coisa que faltou no último jogo, o alvinegro se aproxima do equilíbrio. Aí faz girar a bola, acerta os passes e sai em velocidade rumo ao gol adversário.

Aí, meu amigo, dá até para sonhar.

Alexandre Freire é diplomado em jornalismo.

Um movimento democrático

Como vocês já devem saber, em acordo entre o Ministério Público, PM, Atlético, Cruzeiro e Federação Mineira de Futebol, os clássicos entre o galo e o raposa, agora têm restrição de venda de ingressos a torcida "não mandante" ou "visitante" como preferirem. Bom, eu faço parte de um grupo que vem estudando o futebol na perspectiva das torcidas, na UFMG. No grupo, nós concordamos que essa medida não é a ideal para se solucionar a questão da violência no futebol. No sentido de irmos contra e apresentarmos argumentos acadêmicos sobre o assunto criamos uma petição on-line para ser assinada por aqueles que são contrários a essa medida. E também um manifesto apontando alguns argumentos contrários.
Convido aqueles que forem contrários a essa medida a assinar a petição, e a leitura do manifesto.

Abaixo o link para assinar a petição on-line

http://www.petitiononline.com/tajnao09/

E aqui o link onde está disponível o manifesto em primeira mão.

Luiz Gustavo Nicácio - Mestrando em Lazer - EEFFTO - UFMG

Sobre imortalidade, volta por cima e vírus...

Nessa quarta-feira o “Imortal Tricolor” – como está escrito nos versos do hino do Grêmio – acabou morrendo na praia.

E sem essa de que o time caiu de pé, depois de não ter um pênalti marcado a seu favor, sair perdendo por 2 a 0 e conseguir o empate no segundo tempo, com um jogador a menos.

O Highlander dos Pampas deu adeus à Copa Libertadores porque encontrou um adversário muito melhor pela frente.

Wellington Paulista, várias vezes massacrado pela própria torcida, garantiu a classificação celeste para a quarta decisão do time na história do torneio.

Wellington Paulista: o herói celeste no Sul. Foto: Divulgação/VipComm

Com dois gols na primeira etapa, o atacante da camisa 9 provou que o Cruzeiro sabe jogar fora de casa, sim senhor! E se a equipe vai mal como visitante no Brasileirão, é porque tem um foco específico.

Muitos podem discordar, mas eu pergunto o que é mais importante: ser campeão do seu país ou da principal competição do continente – e que ainda garante vaga para o Mundial de Clubes da FIFA?

Kléber não marcou, mas também foi decisivo. Foto: Divulgação/VipComm

E não vamos nos esquecer da brilhante atuação de Kleber e as grandes defesas do goleiro Fábio. Aliás, seria injusto dizer que só eles se destacaram.

O time todo mostrou que o futebol é um esporte coletivo e se ganha dentro de campo, não com polêmicas e provocações mesquinhas.

Vamos, vamos Cruzeiro! Você é Minas Gerais na Copa Libertadores. Faça o Brasil se render ao seu futebol atropelando o Estudiantes de La Plata, da Argentina.

A decisão começa na quarta-feira da semana que vem, na casa do adversário – com ou sem gripe suína.

A China Azul mal pode esperar pelo dia 15 de julho, que – vai por mim – entrará para a história como o dia em que o Cruzeiro conquistou a América.

E antes que eu me esqueça: pela terceira vez...

Fábio Pinel é apresentador do programa Meio-de-Campo.

2 de julho de 2009

Freguês

Já perdeu a graça enfrentar o Grêmio em torneios mata-mata. Pela 4ª vez, mineiros e gaúchos se enfrentaram em competições com essa fórmula de disputa. Pela 4ª vez a Raposa foi superior ao “imortal” Tricolor.

Nas quartas-de-final da Taça Brasil, em 1966, o Cruzeiro levou a melhor depois de empatar em 0 a 0 no estádio Olímpico e vencer no Mineirão por 2 a 1.

27 anos depois, os times se enfrentaram na decisão da Copa do Brasil. O primeiro jogo, em Porto Alegre, terminou com um empate sem gols. Na partida de volta, em Belo Horizonte, vitória celeste por 2 a 1 e o primeiro dos quatro títulos da Raposa na competição.



Em 1997, nas quartas-de-final da Copa Libertadores, lá estavam Cruzeiro e Grêmio novamente. Desta vez o confronto de ida foi na capital mineira, com triunfo do time estrelado por 2 a 0. Nos pampas, vitória do Tricolor por 2 a 1. O gol fora de casa, marcado por Fabinho, garantiu a classificação cruzeirense.



Hoje os dois clubes escreveram o último capítulo desta história. Mais uma vez o duelo foi pelo principal torneio do continente, mas agora pela fase semifinal. Jogando em casa, a equipe de Adílson Batista venceu os comandados de Paulo Autuori por 3 a 1. No sul do país, houve equilíbrio: empate por 2 a 2. E lá vai o Cruzeiro de novo, deixando o Grêmio para trás.

Guerreiros celestes comemoram o 1º gol de Wellington Paulista no Olímpico. Foto: Divulgação/VipComm

O que mais chama a atenção não é a vantagem azul nesses confrontos diretos. O curioso é que em todas as vezes em que o Cruzeiro eliminou o Grêmio, acabou como o campeão do torneio em disputa. E pode apostar, China Azul: dessa vez a história não será diferente!

Fábio Pinel é apresentador do programa Meio-de-Campo.