29 de junho de 2009

Atleticano manda recado para Roth


O Galo no sábado não perdeu a invencibilidade, isso mais cedo ou mais tarde iria acontecer, mas seria melhor ter acontecido mais tarde. Em um campeonato longo como o Brasileirão, é dificil um clube manter tanta regularidade.


O Galo perdeu a oportunidade de se distanciar ainda mais dos 19 clubes que estão abaixo dele na tabela, principalmente daqueles que vão disputar o título e as vagas para a Libertadores do ano que vem.


Além disso o Galo perdeu a oportunidade de entrar numa seqüência de jogos dentro do Mineirão com a moral elevadíssima: 20 pontos, líder isolado e invicto, melhor ataque e o artilheiro do campeonato e do Brasil, melhor saldo e uma das melhores defesas.


Essa sequência poderia se estender ainda mais depois desses três jogos dentro de casa, e não é fanatismo meu não, basta olhar a tabela e perceber como poderia ter sido feito esse planejamento.O Galo tem pela frente três jogos difíceis: Botafogo, Cruzeiro e São Paulo. Imagina o Mineirão lotado com a massa empurrando! Pois é, eu imaginei e achei que esse seria o planejamento de Roth, que vacilou!


Depois desses três jogos seguidos em casa, o Galo pega Vitória no Barradão, e depois volta a fazer mais dois jogos dentro de casa, Fluminense e Goiás. Aí já estaríamos a cinco jogos pra encerrar o primeiro turno, Flamengo no Maracanã, Coritiba no Mineirão, Inter no Beira Rio, Palmeiras no Mineirão, Corinthians no Pacaembu.


Então, o que eu quero dizer é que Galo poderia chegar nesses cinco jogos finais, que, na minha opinião, será os mais difíceis, com uma vantagem absurda! Isso tudo é planejamento, metas que poderiam ser cumpridas.A derrota para o Barueri aconteceu por bobeira de Roth, que escalou um Atlético diferente daquele que vinha jogando muito melhor fora de casa do que dentro. Uma coisa é um técnico mudar a equipe por lesão, cartões ou por opção tática. Outra coisa é um técnico mudar só pra mudar, isso não existe no futebol.


O Roth tinha que ter entrado com os jogadores que vinham jogando bem e ganhando até de maneira fácil, e não tinha nada que mudar o esquema só porque ganhou do Santos na Vila. Não tinha Junior, nem o Feltri, mas eles fizeram muita falta a equipe do Galo.


O Evandro fez um golaço contra o Santos mas não jogou bem, e hoje contra o Barueri também mostrou um Futebol que tem muito a evoluir, esteve lento, jogando muito de costas para os atacantes.


Não entendi o porquê da entrada do Kléber no lugar do Éder Luiz. Tinha que ter entrado o Alessandro. Não entendi por que o Júnior saiu, e não entendi a demora pra colocar o Feltri!

Quando o Eder pediu a substituição, ele podia ter entrado com o Feltri. Passava o Júnior para o meio, e adiantava o Evandro, que contra o Santos apareceu muito melhor na frente do que no meio. Se essa opção não desse certo, ele colocava o Alessandro na frente no lugar do Evandro e ainda tinha mais uma substituição!


Essa substituição podia ser o Tchô, que é o único jogador do Galo que chuta sem medo de fora da área. Campo pequeno, gramado bom e molhado, e chute do Tchô quicando na frente do goleiro, era mais uma alternativa de lances de gol.


Alexandre Ezequiel é estudante de Educação Física
(Se você é estudioso do futebol e tem vontade de cornetar, mande seu texto para o email do Meio de Campo: meiodecampo@redeminas.mg.gov.br. Ele pode ser publicado)

We can também!


Na Copa de 70 o ritual foi repetido a cada partida, da estréia com sobressalto contra a Tchecoeslováquia, que nem existe mais, à final contra a Itália, passando pelo jogo que mais me marcou – o 1 a 0 contra a Inglaterra, país que aprendi a amar aos poucos, do conhecimento da língua ao conhecimento do povo.

Quase quarenta anos depois, a Seleção de Dunga ganha a Copa das Confederações de maneira brilhante, com 100% de aproveitamento, uma maneira de jogar que une eficiência e beleza, uma camisa amarela como o ouro que arrancaram à força de nossas entranhas para nos deixar em troca a pretensão de reinventar o mundo.

Dunga, esse cara merece respeito. Contra uma campanha intolerante da mídia – a qual em alguns momentos fiz coro, devo confessar –, ele mostrou qualidades que cada vez eu mais admiro. Teimosia em achar que sabe o caminho, despreocupação insolente com o que pensa a mídia. E humildade.

Sim, Dunga é humilde a partir do nome. Ninguém tem nesse, dos sete anões, uma referência. Inclusive porque o anão é uma das menores minorias. Sem trocadilho. E com pouco acesso à mídia para dizer que tamanho, na maioria dos casos, não é documento.

Mas voltando à Seleção, Dunga é consistente. Convoca quem ele acha que está jogando bola, como observou o Túlio Ottoni em postagem neste blog. Isso de jogar com nome, já era. Ronaldo, Ronaldinho e Adriano, se quiserem voltar a vestir a camisa amarela, vão ter de suar. Dólares na conta não contam. Com a base que fica da Copa das Confederações, Ramires incluído, estamos com uma mão no hexa sem eles, mas com humildade.

Nesse domingo, o Brasil me lembrou o time de 1970. Aquele para o qual havia um ritual. Seleção de Zagallo depois da de João Saldanha. Havia uma caixa de foguetes, marca “Caramuru”, uma caixa de fósforos usada para acendê-los, com uma face kitsch, tipo “lembrança de Araxá”, com uma gravura do Grande Hotel, pipoca e lugares fixos na sala diante da televisão. Ah, e tinha uma coisa. Só se podia sair do lugar – para ir ao banheiro, por exemplo – no intervalo. Tudo muito profissional. Éramos ao nosso modo um time.

Naquele ano, ignorante da ditadura que me cercava, achei que éramos um grande país. Vim a saber depois que o grande país que imaginávamos se confundir com a Jules Rimet, na sua grandeza, naquele momento só era verdadeiramente maiúsculo nos sonhos de quantos brasileiros sacrificaram seu amor pela bola em nome de utopias que ainda estavam adormecidas.

Hoje, quando os Estados Unidos abriram dois gols de frente, vesti a camisa amarela. Não ao pé da letra, que camisa mesmo só tenho do Galo, que raramente uso porque o trago o tempo todo no peito, mas na alma. Ainda que minha cabeça estivesse em várias coisas, por causa do programa Meio de Campo, o coração estava ao lado dos onze jogadores que entraram para mostrar ao mundo que não somos pentacampeões por capricho do destino. Temos a manha, se me permitem um linguajar da área.

Parabéns à Seleção, ao Dunga e, particularmente, a dois jogadores que mostram que a arte não está desassociada do suor – Luis Fabiano e Lúcio. Ambos encarnam o espírito desse novo tempo. Como diriam Obama e Pinel, de lados diferentes do Equador e do campo, “Yes, we can”. No futebol e em todas as outras instâncias de vida em que nos metermos, como povo, a abraçar.


Alexandre Freire é jornalista.

28 de junho de 2009

Nova " Era Dunga"

Kaká, sorri enquanto exibe o troféu de melhor jogador da Copa das Confederações.


Diferente daquela expressão cunhada durante a Copa de 90, "Era Dunga" agora quer dizer dedicação, futebol solidário e, o que mais interessa a torcida, títulos.
O futebol da seleção brasileira deu uma guinada nos últimos três anos. O jogador agora vale pelo que joga e não pela história por detrás dele. Dunga é o responsável direto por isso.
E pensar que muita gente queria Luxemburgo na seleção.

Charge Fidusi


27 de junho de 2009

Cedo para fazer isto...


O Galo perdeu a invencibilidade de maneira feia, mas o torcedor atleticano não precisa arrancar os cabelos. O Barueri é até aqui a grande surpresa positiva do Brasileirão. A derrota, além de levar a invencibilidade para o brejo, coloca em escala real aquilo de que o time de Celso Roth é capaz.
A torcida não pode ficar iludida – como sempre tende a acontecer – com a performance da equipe até aqui. A sequência de jogos pela frente é osso: Botafogo, Cruzeiro e São Paulo, todos no Mineirão. Ao final do terceiro jogo, a massa saberá com o que pode sonhar. Aí então talvez seja a hora de arrancar os cabelos.
O jogo da tarde na Arena Barueri teve muitos erros – do de Aranha jogando com os pés ao de Xandão, com a mãos. Não acho que Celso Roth deve entrar nessa de ficar culpando a arbitragem. Quem toma quatro gols tem mais é de colocar a viola no saco e ir trabalhar. Ninguém está a salvo de goleadas nesse campeonato, como já mostraram os jogos até aqui.
Cruzeiro sobe
No Mineirão, o Cruzeiro mostrou sua força. Derrotou o Avaí com um time de reservas e saiu da zona incômoda em que se encontrava. Isso é bom para a Raposa porque não fica muito afastada do primeiro pelotão enquanto sonha com a Libertadores – sonho que por sinal está ao alcance da equipe.
Seleção
Neste domingo a seleção de Dunga tem tudo para ficar com o título da Copa das Confederações e deixar marcado o perfil de escrete que tenta o hexa no ano que vem. Tomara que os Estados Unidos não resolvam fazer uma homenagem póstuma ao Michael Jackson – o que não deixaria ninguém indignado tampouco. O maior ídolo pop do século XX não deixa sucessores.
Alexandre Freire é jornalista

25 de junho de 2009

"10" não é só a camisa dele...

Um ídolo. Não como os outros. Esse é diferente. Por que? Pra começar, desconheço outro atleta que tenha recebido seis homenagens em uma única noite – e que estivesse vivo para presenciar isso.

O Cruzeiro abriu a noite de gala com uma placa pelos serviços prestados com a camisa celeste. Depois, uma camisa personalizada com seu nome e o número 10 estampado nas costas. E ainda, concedeu ao craque o status de Ídolo Eterno.

Já a ADEMG (Administração dos Estádios do Estado de Minas Gerais) dedicou um espaço para os seus pés na Calçada da Fama do Mineirão. E na parede uma placa pelo gol contra o São Caetano, na primeira rodada do Campeonato Brasileiro de 2003.

Diga-se de passagem, um ano mágico para os cruzeirenses. Suspenso, não jogou contra o Paysandu quando o time conquistou a Tríplice Coroa, mas isso não diminui em nada o que o capitão – e maestro – da equipe fez pela Raposa.

Por último, a maior das homenagens: o reconhecimento de milhares de torcedores por tudo o que este curitibano, hoje com 31 anos, fez em 123 jogos. Ao todo balançou as redes em 63 oportunidades.

Confesso: fiquei impressionado ao ver, depois de seis anos, a torcida gritando o nome do ídolo e pedindo a sua volta, enquanto ele dava um volta ao redor do campo antes de a bola rolar para Cruzeiro e Grêmio. Um feito para poucos.

Sou fã, admito. Meus 30 anos não me permitiram ver Tostão, Palhinha, Falcão, Reinaldo, Pelé, Garrincha e toda a geração anterior à década de 80. Acompanhei – alguns mais ou menos – os últimos anos de Éder, Zico, Toninho Cerezo, Junior...

Por isso ele está na minha lista dos maiores jogadores que já vi atuando. É diferente em tudo. Na postura em campo e fora dele. Na forma como lida com a imprensa e acompanha os noticiários.

Se você ainda não sabe de quem estou falando: ou está com dor-de-cotovelo ou deve ter menos de cinco anos de idade.



E, além de tudo isso, é pé-quente! Mesmo sem jogar, de certa forma colaborou para a vitória celeste sobre os gremistas na primeira partida da semifinal brasileira na Copa Libertadores. Deu para entender por que Alex não é como os outros?

Fábio Pinel é apresentador do programa Meio-de-Campo.

A vitória de Elicarlos sobre o racismo


O futebol é um dos últimos lugares em que práticas discriminatórias são toleradas, e isso precisa ser superado. Entre as torcidas, é comum que haja xingamentos que procuram ferir o adversário em sua identidade. Isso frequentemente é feito com base no preconceito. Em Minas, atleticanos fazem do preconceito ao gênero sua arma. Os cruzeirenses contra-atacam com um recorte de classe social. A gente dá de ombros e acha que isso faz parte da cultura do esporte.

Na vitória do Cruzeiro sobre o Grêmio ontem na Libertadores, essa nódoa do futebol voltou a aparecer. O atacante gremista Maxi López foi acusado por Elicarlos, volante celeste, de tê-lo chamado de macaco. A indignação do companheiro de equipe Wagner no lance indica que houve algum insulto ligado à cor da pele pelas imagens que a televisão mostrou e reprisou da discussão entre os adversários em campo.

Elicarlos registrou queixa contra o argentino, que em depoimento à polícia negou que tenha infringido a Constituição Brasileira de 1988. A nossa lei maior considera o racismo crime inafiançável e imprescritível. O volante do Cruzeiro, negro como os integrantes de uma galeria de heróis que no futebol vão de Friedenreich a Robinho, passando por Leônidas, Didi, Garrincha e Pelé, entre tantos, fez sua parte ao tornar público seu sentimento de dignidade ferida. Caberá à Justiça seguir seus trâmites e a nós, torcer para que seja justa.

Enquanto isso, todo amante do maior esporte do mundo deve refletir sobre atos como o de Maxi Lopez, que desembarcou em Porto Alegre sob gritos de apoio à sua truculência. Este é o lado sombrio do futebol. Uma zona turva que nutre o racismo, a violência, a corrupção, o ódio.

Neste jogo, devem se enfileirar todos os que vestem a camisa com as cores da humanidade, que são tantas. A coragem de Elicarlos ontem, assumindo publicamente ter sido humilhado, foi um lance de craque. Uma vitória sobre o racismo. Parabéns para ele.

E ao Cruzeiro, por outro triunfo.

Alexandre Freire é jornalista

24 de junho de 2009

Quatro homens e um destino

Daqui a pouco o Cruzeiro enfrenta o Grêmio na primeira partida das semifinais. A Raposa pode até cair ao final das duas partidas diante dos gaúchos, mas as ações mais recentes de quatro personagens dão esperança à torcida. Vamos a eles:

Predestinado - Ramires chegou e ficou. O mais etíope dos jogadores brasileiros (pelo físico e pela velocidade) destacou-se rapidamente no time do Cruzeiro na última e na atual temporada. Vendido para o Benfica, foi convocado para a Seleção Brasileira. Logo na estréia, contra os Estados Unidos, transformou a equipe brasileira, o que se confirmou contra a Itália. Dois partidaços, e parecia um veterano. Não são todos os bons jogadores que aguentam o peso da amarelinha. Ramires passou pelo teste, com louvor.

Gladiador – Kleber sonhou com o título. E tornou o sonho público, sem medo de ser feliz. Ele quer ter razão e quer ser feliz. Os sinais que o atacante envia para a torcidade é de que está totalmente concentrado para o jogo de hoje, o próximo e o que mais vier. Que não falem de outra coisa perto do fazedor de gols. Parafraseando o poeta português Fernando Pessoa, Deus sonha, o homem sonha junto e a obra nasce.

Cientista – Adílson Batista não se furta a experimentar. E, como todos que se envolvem com experiências, fica à mercê das tentativas e dos erros. Mas ninguém pode acusá-lo de ter medo das tentativas. E dos erros. Aí os acertos que surgem destacam-se. É ousado e reconhece quando erra. Às vezes é teimoso (e nisso reside a birra de parte da torcida e da imprensa com ele). Trabalha muito, estuda muito, dedica-se muito.

Líder – Antes da partida contra o São Paulo, quinta-feira passada, o presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella apresentou-se rapidamente à imprensa para divulgar que havia oferecido a renovação do contrato de Adílson Batista por mais três anos. Com isso, evitou maiores pressões e especulações contra o técnico, que aconteceriam com uma derrota. A ação de Zezé Perrela foi em parte subestimada, tanto quanto é rara entre seus pares.

O predestinado, o gladiador, o cientista e o líder estão do mesmo lado. Não é improvável que, juntos com Fábio, Marquinhos Paraná, Vagner e os demais jogadores, eles ultrapassem mais essa pedreira.

Fabrício Marques é jornalista e escritor

Eu escalaria Thiago Ribeiro hoje

Thiago Ribeiro contra o Uberlândia durante o Mineiro

Euforia à parte, pois o torcedor é só emoção, espero que seja um jogo digno de Libertadores. A confiança demonstrada nas filas para comprar ingresso é até certo ponto muito boa para o time. Entrar em campo, sabendo que terão ao lado a força de mais de 50 mil, só pode ser considerado como incentivo extra.

Ninguém duvida de que o Cruzeiro que entra em campo hoje é o mesmo que despachou o São Paulo com duas vitórias. É claro que o Grêmio não é o atual campeão brasileiro. Se chegou à semifinal e ainda foi a equipe melhor na fase de grupos é porque tem valor. Representa a autêntica escola gaúcha de futebol. Marca bem e sai em contra-ataques fulminantes.

Espero por um jogo disputadíssimo em cada centímetro quadrado do gramado. É claro que o Cruzeiro deve sair mais, já que joga em casa e tem essa característica. Só vejo um problema – quem vai ser o companheiro de Kleber. Tanto Wellington Paulista como Zé Carlos não têm correspondido. Vanderlei? Um pouco melhor. Bom seria se Thiago Ribeiro entrasse. Podem dizer que está de retorno de longo período de inatividade, mas cá para nós, o jogo é decisivo e nessa hora é a adrenalina do atleta que fala mais alto.

Enfim, que seja uma partida viril, porém sem deslealdade. Um jogo digno de duas forças do futebol brasileiro em busca da glória de disputar a final da maior competição do futebol sulamericano.

Luiz Tropia Barreto é jornalista

23 de junho de 2009

Libertadores: tradição e equilíbrio em campo


Depois de 12 anos, Cruzeiro e Grêmio voltam a se enfrentar em uma fase decisiva da Taça Libertadores da América. São dois bicampeões. Desta vez o confronto vale pela semifinal e há o prenúncio de uma guerra, uma vez que as duas equipes ganharam muita confiança ao longo da competição.

O Cruzeiro derrotou o São Paulo nas quartas e também as previsões de muitos analistas de futebol. Foram duas vitórias incontestáveis, sendo que na segunda partida o esquadrão celeste mostrou que não está na Libertadores a passeio. Fez 2 x 0 no Morumbi, implacável com o adversário.

O Tricolor dos Pampas não foi tão eficiente na última fase, classificou-se com dois empates com o Caracas. Passou à fase seguinte por ter marcado um gol jogando na Venezuela. No entanto, o Grêmio ostenta uma bela campanha, joga com ousadia e experiência na casa do adversário. Sempre consegue impor seu jogo cadenciado para ter o controle da partida.

O Cruzeiro concentra sua força no meio campo e não tem dificuldades para manter a qualidade na reposição de peças nesse setor. Mais do que isto, conserva o padrão de jogo a cada alteração feita pelo técnico Adílson Batista. Ter um atacante como Kleber em campo é um trunfo. Ele encarna o verdadeiro espírito da Libertadores e é a grande referência de garra para o time. A segurança de Leonardo Silva na zaga é outro ponto forte da Raposa. Leonardo é ainda um importante elemento surpresa em bolas alçadas à área do adversário.

Assim como o Cruzeiro, o Grêmio tem um meio campo muito forte, mas não conta com peças de reposição à altura de Tcheco e Souza. O ataque gaúcho tem mais alternativas. Paulo Autuori pode se dar ao luxo de ter o argentino Herrera no banco, para que Jonas ou Alex Mineiro joguem ao lado do outro argentino, o perigoso Maximiliano Lopes. A possibilidade de mudar o jeito de o ataque jogar, de acordo com o posicionamento do adversário, é maior para o Tricolor. São todos atacantes de características diferentes.

O Grêmio não é tão mortal quanto o Cruzeiro nos contrataques. Em compensação os gaúchos têm a recomposição muito rápida ao perder a bola no campo do adversário (herança deixada por Celso Roth). Fábio e Vítor são dois grandes goleiros, mas o Grêmio perde o arqueiro para o primeiro confronto, já que ele serve ao Brasil na África do Sul. Em compensação, o Cruzeiro perde Ramires. Assim como Vitor, o recém negociado cruzeirense disputa a Copa das Confederações. Nenhum dos dois times tem laterais capazes de desequilibrar. Já o zagueiro Léo Fortunato, da Raposa, pode desequilibrar entregando o ouro para o adversário.

Por conta de toda essa igualdade, é em tese impossível apontar um favorito. Cruzeiro x Grêmio é sempre uma disputa que envolve tradição. São dois times que jogam no 4-4-2. Nenhum dos dois tem pontos fracos que não possam ser administrados. Pode ser até que aquele que jogue melhor nem passe às finais. As copas costumam pregar peças nessas horas. O certo é que o torcedor vai sair ganhando por conta das fortes emoções que estão por vir. Vai valer a pena ver este jogão de bola!

Cyro Gonçalves é jornalista da Rede Minas

22 de junho de 2009

Blá blá blá

Grande parte da imprensa está detonando o árbitro Djalma Beltrami por causa do jogo Santos 2 x 3 Atlético nesse último domingo na Vila Belmiro.
Tá certo que o juizão deu uma surtada. Terminou o jogo antes da hora e voltou atrás, mandou todos os jogadores voltarem pra trás numa cena para entrar na antologia do futebol brasileiro. E aí nova saída de bola e gol do Santos. Mas Beltrami anulou. Marcou falta de Kléber Pereira.
Lambança foi a palavra mais amena usada pela imprensa escrita, falada e televisada como diria Odorico Paraguassu.
Os jornalistas esportivos não aprendem. O Juiz errou sim, ao não dar o tempo de acréscimo que ele mesmo havia previsto. Pois bem, errou e reconheceu o erro. O jogo recomeçou e Djalma Beltrami anulou um gol do Santos.
E anulou porque foi falta de Kléber Pereira, falta existente e não o contrário como quase todo mundo disse. Quase, na Rede Minas Roberto Amaral falou a verdade depois de mostrar esta imagem da ESPN.

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Charge Fidusi


Charge Duke

Dunga e seus críticos


Mário Jorge Lobo Zagallo disse em 2007: vocês vão ter de engolir o Dunga. A frase que o velho lobo já havia desferido em defesa própria, depois de vencer a Copa América em 1997 sob uma chuva de críticas, foi repetida dez anos depois para socorrer o atual treinador da Seleção em situação análoga.

Após a vitória do Brasil sobre a Itália nesse domingo, os críticos de Dunga têm um motivo a mais para, como diz aquela campanha publicitária, “rever seus conceitos”. São, salvo engano, 29 vitórias no comando dos pentacampeões do mundo, atropelando escretes de primeiro escalão, como a Azzurra, que voltou para casa hoje, Argentina e Portugal.

Pela frente, o Brasil faz uma semifinal na quinta-feira contra a África do Sul. Espanha e Estados Unidos terão decidido a outra vaga um dia antes. Zebras desconsideradas, teremos daqui a uma semana uma decisão da Copa das Confederações entre o Brasil e a campeã da Europa do ano passado, ambas com 100% de aproveitamento até aqui no torneio no continente africano. O jogo que todo mundo quer ver e estava previsto.

A Seleção que o país acompanhou em Pretória contra os tetracampeões do mundo está jogando muita bola, na melhor tradição do futebol arte. Dunga tem toda condição de colocar mais um título no seu currículo. Para quem achava que ele só é capaz da tal estratégia de resultados, é hora de virar o disco. Como disse Zagallo, vão ter de engolir o homem.

Alexandre Freire com charge de Duke (www.dukechargista.com.br)

19 de junho de 2009

Vamos, vamos, Cruzeiro!

Kléber: correu, apanhou e foi premiado com um gol. Foto: VipComm/Divulgação

Contrariando a previsão dos pessimistas e de atleticanos, o Cruzeiro venceu o São Paulo, em pleno Morumbi. Foi com propriedade: 2 a 0! Os heróis cruzeirenses foram Henrique (autor de um golaço) e Kleber (cobrando pênalti).

O empate seria suficiente, mas os jogadores celestes queriam mais. E a vitória não foi somente contra o atual tricampeão brasileiro. O time derrotou ainda a desconfiança de milhares de torcedores cruzeirenses.

Os tropeços fora de casa para Náutico, o próprio São Paulo e Palmeiras, pelo Brasileirão, deixaram a China Azul preocupada. Não era pra menos. No ano passado o retrospecto ruim como visitante foi apontado como a principal causa da perda do título da competição.

Wagner enfrenta Eduardo Costa, que acabou expulso. Foto: VipComm/Divulgação

Mas na Copa Libertadores da América a história é diferente. Afinal, Libertadores é Libertadores, né? Além disso, em cinco partidas longe de Belo Horizonte, o Cruzeiro só perdeu para o Estudiantes, de La Plata-ARG – que, aliás, enfrenta o Nacional-URU na outra semifinal.

A Raposa está mais perto do tricampeonato. O próximo adversário será o Grêmio. O primeiro confronto jestá marcado para a semana que vem – dia 24. Novamente, a missão celeste não será fácil. Os gaúchos têm tradição e um bom elenco.

Os gremistas tiveram a melhor campanha na fase de grupos: cinco vitórias e um empate. Por isso vão fazer o segundo jogo das semifinais em Porto Alegre. O desempenho do Grêmio, somados os jogos das oitavas e das quartas-de-final, ainda é um dos melhores – sete vitórias e três empates.

Por outro lado, se o Cruzeiro foi o quinto melhor primeiro colocado, agora o time azul tem o mesmo aproveitamento que os gaúchos, somadas todas as fases. Graças aos triunfos sobre o São Paulo, a Raposa tem agora oito vitórias, um empate e uma derrota.

Wilson Gottardo levanta a taça em 1997: presságio? Foto: Cruzeiro/Divulgação

Cruzeiro e Grêmio já se enfrentaram quatro vezes na história da Copa Libertadores da América, todas em 1997. Na fase de grupos, a Raposa perdeu no Mineirão por 2 a 1, logo na estréia, mas levou a melhor no estádio Olímpico ao ganhar por 1 a 0.

Nas quartas-de-final os times se encontraram novamente. Na primeira partida, em Belo Horizonte, a equipe celeste venceu por 2 a 0. No jogo de volta, em Porto Alegre, a vitória foi do Tricolor, mas por 2 a 1. O gol marcado na capital gaúcha classificou a Raposa para as semifinais.

Um bom presságio. Afinal, naquele ano o Cruzeiro acabou conquistando seu segundo título na história da Libertadores. E vale lembrar que Ramires estará à disposição do técnico Adílson Batista para o jogo de volta contra o Grêmio, possivelmente no dia dois de julho.

Parabéns ao Cruzeiro pela classificação. Parabéns aos torcedores que apoiaram e acreditaram na equipe, apesar dos pesares. E um aviso para aqueles que já pediam a cabeça do técnico Adílson Batista: deixem o homem trabalhar em paz!

Fábio Pinel é apesentador do programa Meio-de-Campo.

Minas


Sempre admirei meu pai por um tanto de coisas. Imagino que a maioria de nós poderia dizer o mesmo do próprio pai. Mas um aspecto do jeito dele sempre me deixou meio reflexivo. Meu pai torce por Minas quando o assunto é futebol – provavelmente por outras razões também, pois é muito cioso desses modos dos mineiros: conversar para saber como o outro pensa, admirar Juscelino Kubitschek, sentir-se em casa entre as montanhas, cultivar silêncios...

Mas ele, atleticano roxo, torce para o Cruzeiro quando o que está em jogo é a bandeira branca, com o triângulo vermelho, que não lembra o governo da hora, mas os Inconfidentes e a máxima de que o ar de Minas destila sedições.

Ontem, quando o Cruzeiro despachou o São Paulo no Morumbi, com direito ao baile, com um golaço do Henrique e outro, de praxe, do Kléber, ele ficou feliz. Minas tinha mostrado para São Paulo que as montanhas têm seus guerreiros e que é sempre bom uma dose honesta de prudência quando se desafia este povo de alma larga.

Fiquei pensando, atleticano roxo, que seria bom ver a camisa alvinegra num jogo de Libertadores colocando o São Paulo na roda na casa dele. Colocando o poder econômico na roda. Colocando os títulos da editoria de Esportes da Folha de S.Paulo na roda. Colocando o olhar do Brasil nas Minas Gerais.

(...)

O bar ao alcance dos ouvidos transbordava em alegria e festa. Buzinas, gritos, barulho. O Cruzeiro fez 2 a 0 sobre esse pretenso Real Madrid doméstico que é o São Paulo. O time celeste, de um azul que reflete o céu do outono quando fenece, fez o seu papel. Minas está aí.

Para os atleticanos, fica o sonho de seguir esses passos. Passos que o alvinegro já soube dar com igual brio. Como anda fazendo no Brasileiro. E tomara que continue.

Aí volto a pensar no meu pai. Feliz, feliz mesmo, não digo que ele fique com a vitória do time celeste. Mas fica orgulhoso de Minas. Fica satisfeito em saber-se parte dessa terra que marca com princípios os rumos da história nacional. Com arte, com o reconhecimento de que o ouro que abandonou nossa geografia se depositou para sempre nos nossos valores mais caros. Como os que repousam na bandeira. Como o de liberdade.

Parabéns, Cruzeiro. O último semifinalista a Libertadores tem pela frente outro povo que sabe lutar. Os corações de Minas, apesar da diferença das cores, devem estar com o time da Toca no próximo confronto.

E toda essa harmonia, que algum anjo insolente me fez enxergar, vai se desfazer como um castelo de cartas quando nos encontrarmos de novo dentro das quatro linhas. Aí é hora de resolver em casa afetos que não se encerram.

Alexandre Freire é jornalista
PS: Feliz aniversário para o João Paulo, produtor do Meio de Campo

18 de junho de 2009

Um time começa com um bom goleiro...

Ronaldo, com a camisa repleta de marcas de produtos, comemora o gol

E termina com um bom atacante. Seguindo esta máxima o Corinthians conseguiu uma vantagem especialíssima na primeira partida da final da Copa do Brasil. Ronaldo, que não marcou gol nos último cinco jogos que disputou, foi mais uma vez decisivo numa decisão. É a sina dos craques.
O Internacional só foi com vontade para o ataque quando o jogo já estava dois a zero.

E aí foi o bom goleiro Felipe quem se destacou. Foram duas defesas fenomenais, só para pegar emprestado o adjetivo do seu companheiro de clube: numa falta cobrada por Andrezinho e num chute de Taison. Agora, a arrancada de Ronaldo, o drible em cima de índio e o chute certeiro de pé esquerdo foram simplesmente fantásticos. Uma aula de futebol em 10 segundos.

Túlio Ottoni

17 de junho de 2009

A síndrome do cavalo paraguaio


Desde que o Brasileirão passou a ser disputado por pontos corridos, em 2003, um animal costuma perseguir os torcedores: o cavalo paraguaio. Na era das decisões a conta-gotas, vários times tiveram a oportunidade de ocupar o primeiro posto na tabela, mas as particularidades de uma competição com praticamente oito meses de duração são cruéis. De 2003 para cá, o maior campeonato do país teve líderes como o Goiás, Juventude, Figueirense, Paraná, Ponte Preta e Criciúma. Desses, só o Goiás não foi parar na Série B.

O público está acostumado com a atual fórmula de disputa e entendeu que o primeiro jogo vale tanto quanto o último. Por isso, os times que valorizam as rodadas iniciais tem uma excelente chance de acumular “gordura”. Após a disputa de 18 pontos, o Atlético lidera o torneio, levando vantagem no saldo de gols sobre o Internacional, que também acumula 14 pontos. E agora, os atleticanos fazem a pergunta: o time pode repetir o feito de 71 e buscar o bicampeonato?

Para alcançar a façanha, o Galo luta contra uma estatística desfavorável: jamais, no Brasileirão de pontos corridos, o líder na sexta rodada terminou com o caneco. Em 2003, o Internacional liderava nessa altura, preparando o terreno para o Cruzeiro ser campeão. Um ano depois, foi a vez de o São Paulo segurar a taça para o Santos. Em 2005, o Juventude era o melhor time após seis rodadas, e o Santos foi o campeão. Nos últimos três anos, coube a Cruzeiro, Botafogo e Flamengo ocupar o primeiro lugar na sexta rodada, enquanto o São Paulo acumulava forças para comemorar o tri.

O campeonato de pontos corridos é justo. Para ser regular em 38 partidas, é preciso fôlego e planejamento. Assim, a preparação física precisa trabalhar para que os jogadores agüentem correr o ano inteiro e não tenham lesões típicas de desgaste por excesso de partidas. O planejamento, por sua vez, possui desdobramentos. É preciso manter o treinador, independente de maus resultados (qual campeão desde 2003 teve dois, três ou mais técnicos no banco de reserva? Nenhum). E um elenco enxuto, mas de qualidade.

Voltemos ao Atlético. Diego Tardelli é um dos pilares da equipe. É natural que seja suspenso ou que tenha pequenas contusões em 38 partidas. Com as mesas características, quem entra? Alessandro, por exemplo, já rodou um punhado de clubes e não se firmou em nenhum. Pedro Paulo, Kléber e Júlio César ainda não são realidade. E se a tragédia for maior: Éder Luís e Tardelli fora ao mesmo tempo? As chances de prejuízo aumentam.

Na lateral esquerda, uma outra situação complicadíssima. Thiago Feltri e Júnior são os únicos nomes para a posição. Na vitória sobre o Náutico, Feltri foi expulso e terá de cumprir suspensão. Júnior, aos 35 anos, está fazendo o caminho de muitos laterais, que é ir para o meio-campo e recebeu o terceiro amarelo. Se prevalecer a lógica, o jovem Chiquinho terá a difícil missão de resolver o problema contra o Santos. Na prática, portanto, uma situação de risco para o atleta que poderá prejudicar a si e ao time caso tenha uma atuação ruim na Vila Belmiro. Sem elenco, não dá para imaginar voos mais altos.

Se as seis rodadas iniciais expõem algumas fragilidades da equipe alvinegra, demonstram também que a torcida está com o time. Com mais de 40 mil pessoas no Mineirão, apaixonadas e gritando o tempo inteiro, dá para acreditar que é possível superar deficiências técnicas, buracos no planejamento e até mesmo a síndrome de cavalo paraguaio.


Pedro Blank é jornalista.

16 de junho de 2009

Galo ou Coelho?

David Langat na maratona de Dusseldorf

O queniano David Langat disputou, no mês passado, a maratona de Dusseldorf, na Alemanha. Considerado um atleta de segunda linha num país em que corredores brotam como grama, Langat foi contratado para correr como "coelho", ou seja, aquele atleta responsável por ditar um ritmo mais forte até a metade da prova e depois entregar o primeiro lugar para os verdadeiros favoritos.


É o que todo mundo anda falando sobre a liderança do Atlético no Brasileirão: o time é o coelho que largou na frente, mas que vai deixar os primeiros lugares quando o campeonato esquentar de verdade. Ressabiada, a torcida ainda não canta de Galo, mas faz sua parte. Em jogos como mandante, o público do Atlético só perde para o do Flamengo (86.568 a 81.857). Torcida ajuda, mas não ganha título. E vencer o Campeonato Brasileiro não é uma tarefa simples.


Na maratona de Dusseldorf, o "coelho" David Langat foi correndo, correndo e como os adversários não reagiram, acabou vencendo a prova. Foi sua primeira vitória numa maratona de ponta. E é sempre bom lembrar que o futebol é mais pródigo em surpresas do que uma maratona.

Túlio Ottoni

15 de junho de 2009

O Brasileirão é osso!


Atlético e Cruzeiro têm desafios distintos nas próximas rodadas do Brasileiro. O alvinegro, líder ao final da sexta rodada, além da vitória sobre o Náutico ontem, havia batido Grêmio, Sport e Atlético Paranaense – os dois últimos fora de casa – e empatado com Avaí, em Santa Catarina, e Santo André no Mineirão.

Ainda que esse retrospecto não seja para soltar foguetes, como tende a fazer o torcedor do Galo, tampouco pode ser desdenhado, como quer o torcedor rival em Minas. Contudo, é preciso levar em conta que o Grêmio está com a cabeça na Libertadores. Sobraram, portanto, três adversários que não estão entre os mais fortes, ainda que mereçam todo o respeito.

Daí que é no domingo que vem que a onça vai beber água, e é bom o Galo ficar esperto com o Peixe. O Santos na Vila Belmiro parte para cima. Será o grande teste para o Aranha, já promovido a ídolo, e para o sistema defensivo de Celso Roth. Será também uma oportunidade para o ataque atleticano – o melhor, ao lado dos adversários – mostrar que é capaz de bom desempenho em qualquer arena.

Um bom resultado em São Paulo consolida a boa fase e mostra que o Atlético joga para mudar a história no segundo semestre, brigando por uma vaga na Libertadores e, quem sabe, com chances de sonhar com o título.

O desafio do Cruzeiro tem dois tempos. O primeiro é passar pelo São Paulo e ficar com a vaga na semifinal da Libertadores. Basta um empate. O outro é mudar a atitude em jogos fora no Brasileiro. Neles a Raposa tem um retrospecto ruim desde setembro de 2008, quando atropelou o Figueirense. Isso talvez tenha lhe custado o bicampeonato no ano passado.

É verdade que o time celeste enfrentou até agora equipes mais fortes do que as que o primeiro campeão brasileiro teve pela frente em seis rodadas do Brasileiro. Verdade também que foi garfado ontem. O primeiro gol teve cal levantada, o que significa que a bola não ultrapassou a linha sob as traves totalmente, ainda que não possamos querer que os juízes e bandeiras tenham o mesmo olhar preciso das câmeras. Houve por último o lance em que os cruzeirenses reclamaram de pênalti em cima de Bernardo.

No Mineirão, domingo que vem, o Cruzeiro, décimo colocado, recebe o Barueri, cinco posições abaixo. Não deve haver surpresas aí. O desafio do time da Toca é vencer fora. Na era de pontos corridos, bater o adversário na casa dele é fundamental para aspirar às primeiras posições.

O Brasileiro entra na sétima rodada. Dizem que é cedo para saber em que vai dar. Bom não esquecer que dentro da matemática adotada em 2003, cada jogo é decisivo. Isso tudo pode não passar de uma coleção de clichês, mas até por isso é bom levar a sério o desempenho na fase inicial do torneio.

Depois, só mais dificuldades: desgaste, contusões, janela de transferência, o desespero de quem vislumbra a degola, o esforço de quem quer salvar alguma coisa, da Sulamericana para cima. O Brasileirão é osso.

7 de junho de 2009

Dunga garante vaga na Copa da África

Dunga voltando a sorrir....

A goleada sobre o Uruguai levou a seleção brasileira à liderança das eliminatórias e praticamente garantiu Dunga como o treinador do Brasil na Copa de 2010.

Quando assumiu o cargo após o fracasso da seleção em 2006, Dunga era considerado um técnico tampão. Era como se ele estivesse guardando o cargo para um treinador mais experiente. Dunga desafiou jogadores consagrados. Kaká foi um deles. Recebeu críticas, muitas críticas. Mas resistiu , o tempo passou e as críticas já estão sumindo, daqui a pouco vão se transformar em elogios rasgados.

O tempo realmente muda as coisas. Mudou por exemplo a opinião de muitos jornalistas sobre o técnico da seleção. A minha já está mudando. Um dia achei que seria suicídio manter Dunga até a Copa. Já não penso assim.

O técnico amadureceu neste últimos 3 anos. E a seleção está conseguindo resultados surpreendentes com futebol eficiente. Como disse Muricy Ramalho, quem quiser ver espetáculo que vá ao teatro. Dunga parece que aprendeu a lição.

Túlio Ottoni

5 de junho de 2009

O Crepúsculo dos treinadores

Yustrich dando "instruções" a um jogador do Porto.

Emerson Leão no Sport. Leonardo no Milan. Duas notícias que colocam na roda uma questão que deveria incomodar muito os dirigentes esportivos, mas que por enquanto incomoda a Associação Brasileira de Treinadores de Futebol. Quem vc gostaria de ter como técnico do seu time? Um jovem promissor e , ouso dizer, cosmopolita como Leonardo ? Ou um velho turrão e ranzinza como Leão? Claro que para uma pergunta tão tendenciosa, só poderia haver uma resposta. Mas a questão crucial é esta mesmo.
A saída de Leão do Atlético, a forma como tudo aconteceu com goleada e invasão de campo, expôs cruelmente a decadência, não apenas de um técnico, mas de um estilo. Leão sempre me lembrou o lendário Yustrich. Para quem nunca ouviu falar , era um treinador que dava instruções e porradas nos vestiários. Mais porradas que instruções, é verdade. Leão é mais sutil, cultiva a antipatia, despreza craques e gosta de altos salários. Problema dele, mas é um problema. Em duas semanas Celso Roth, que não é nenhuma brastemp, deu um jeitinho no Atlético, o que Leão não conseguiu em meses. Me arrisco a dizer que o Atlético foi o último time grande treinado por Leão. Um indício de que esta previsão pode se concretizar foi o demorado acerto com o Sport que tentou antes Vagner Mancini e Ney Franco. Leão foi a última opção. Duvido que vá durar até o final do Campeonato Brasileiro.
Do outro lado do Atlântico, o Milan anuncia a contratação de Leonardo, agora como treinador. Já foi diretor e gerente executivo do Clube. É a tradição européia de promover a treinador não apenas um jogador de futebol, mas uma pessoa inteligente, aberta e consciente de que o mundo mudou. Está aí Guardiola, campeão da Liga dos Campeões com o Barcelona.
Alguns clubes brasileiros estão de olho nessas mudanças de rumo e este ano de 2009 parece ser um divisor de águas. Adilson Batista e Muricy Ramalho já deixaram de ser apenas revelações. O mercado está aberto à renovação. Mas o que mais chama a atenção é que este é o ano do crepúsculo dos antigos treinadores: Leão, Felipão, Parreira, Nelsinho Batista, Geninho, Antônio Lopes, Joel Santana, Tite e até Luxemburgo estão perdendo a simpatia de dirigentes e adeptos na torcida. O futebol ficou complexo demais para eles.

1 de junho de 2009

Sobre desastres, falta de ambição e “jogadores-cabeça”

Os tropeços dos times de Minas no Brasileirão no final de semana mostram algo que todo mundo que acompanha o campeonato já sabe: não há jogo fácil e, numa jornada longa como essa, só disputam o topo da tabela os clubes que reunirem apuro nos planos técnico, físico e tático, banco de reservas, um técnico estudioso e, cada vez mais importante, equilíbrio emocional.

Por exemplo, faltou esse quesito a Atlético e Cruzeiro em seus compromissos da quarta rodada. O Galo poderia ter vencido o Santo André no sábado se tivesse um pouco mais de tranqüilidade. Com um jogador a mais e atuando no Mineirão, com aquele espaço todo, não havia como o alvinegro não impor toque de bola e chegar ao gol. Talvez tenha sido isso que Celso Roth, num excesso retórico, tenha classificado de desastre.

Do mesmo modo, o Cruzeiro é muito forte para ser goleado pelo São Paulo. As duas equipes, entre as cinco ou seis melhores do país hoje, estão num patamar muito próximo em todos os aspectos – qualidade de elenco, treinador, estrutura, capacidade financeira.

Adílson Batista depois do jogo reclamou de falta de ambição de seus atletas, que de fato criaram muito para deixar passar em branco o marcador do próprio lado. Ambição, em bom português, significa a determinação de ir atrás do resultado com base nas próprias virtudes. E virtudes, com Ramires ou sem ele, é algo que não falta ao time celeste.

O futebol é um esporte curioso. Quando tudo contribui para que ele se equilibre em alguns aspectos – repito: técnico, tático, físico, financeiro – entra um fator que é capaz de fazer a balança pender: o equilíbrio emocional, ter cabeça boa.

Quem viu jogadores como Tostão, Reinaldo, Zico, Sócrates (que era até doutor), Paulo César Caju, Afonsinho... sabe que existe uma coisa em todo jogo, atitude. Ter atitude para ganhar, ter atitude para perder. No fundo, fica a atitude. Entre as coisas que podem integrar os centros de treinamento com toda sofisticação que hoje os cerca, deveria constar uma biblioteca, palestras de interesse geral, cinema de arte, enfim, um pouco mais de cultura.

Videogames, sinuca, pagode, programas ruins de televisão, um uso trivializado da internet e o cinema da indústria cultural não precisam ser execrados. Mas que ninguém duvide: futebol também é cultura. Biscoito fino.

Alexandre Freire