30 de setembro de 2008

Ainda é pouco!

O ex-presidente do Corinthians, Alberto Dualib, e o ex-vice Nesi Curi, agora também são ex-sócios. O Conselho Deliberativo do Timão sacramentou a exclusão dos dois do clube. Acusado de formação de quadrilha e desvio de dinheiro é o mínimo que poderia acontecer com Alberto Dualib. Mais um fato para marcar a tentativa de mudança no futebol brasileiro. O Corinthians teve que chegar a série B para ver que o caminho estava torto. O Vasco pode seguir os mesmos passos caso não reaja na reta final do Brasileirão deste ano. Depois da queda de Eurico Miranda, o torcedor vê os estragos feitos pelo dirigente. Outros clubes também estão no mesmo caminho da má administração como o Atlético Paranaense e o Atlético Mineiro, que brigam para não cair. O Galo já deu o primeiro passo para não repetir o vexame de 2005, quando foi rebaixado. Mas, para mudar o trilho tomado, não são renúncias e muito menos exclusões do quadro de sócios que vão dar conta do estrago já feito.

João Paulo Ribeiro escreve às terças-feiras

Charge Fidusi

"Everything free in America/For a small fee in America"

Perdoe o título em inglês, mas eu tenho boas razões. Primeiro, o nome do time é esse mesmo: América, sem chance de soar latina ou do sul, é homenagem crua aos EUA, que ainda não eram meca (sem trocadilho) do glamour quando o club foi criado, mas paixão dos garotos do Anglo-Mineiro, que assistiam aulas na britânica língua.

E o título é um trecho da canção “America”, que balançou a Broadway no musical West Side Story. A letra fala das (terríveis) ambigüidades do american way of life, e serve como uma luva no Coelhão. Esse papo de elite é conversa fiadíssima. Os torcedores do América são gente preta, verde e branca como outra qualquer (se a torcida é um pouco menor, piadinhas à parte, é outra história).

O buraco está em outra elite: as raposas políticas que, pra cozinhar o próprio galo, sempre desabusaram do Coelho. De Negrão de Lima a Olegário Maciel, de Milton Campos a Bias Fortes, de Tancredo aos petucanos do mensalão, dezenas de figurões com nome de praça já declararam amor ao deca-campeão.

Merecemos isso? Antes do Mineirão, esse templo do futebol-grana, o América já mostrara que era algo diferente, vestindo vermelho por 10 anos em protesto contra o profissionalismo. Merecemos nossos torcedores de elite?

Em tempo: em 1957, quando estreava o West Side Story, nos EUA, o Brasil fabricava sua primeira Kombi. Mas sobre isso eu não quero falar.

Beto Vianna é doutor em Linguística e americano de trincar

29 de setembro de 2008

E agora?

O Atlético tinha uma seqüência de três jogos com times que estão abaixo dele na tabela. Ou seja. Eram nove pontos, dos quais só conquistou 4. Nas próximas quatro rodadas pega equipes que estão na ponta da tabela. Pela ordem: Palmeiras, Flamengo, Cruzeiro e Internacional. No primeiro turno, não venceu nenhum deles. Empatou com os times de São Paulo e Rio, jogando em casa, e perdeu para Cruzeiro e Inter. O atleticano que não estava preocupado, agora já tem motivo.

João Paulo Ribeiro

Charge Duke

A análise de Tostão

O tempo de televisão no jornalismo não comporta muito conteúdo. Entre “sound bites”, perde-se o essencial, principalmente quando se trata de análise. Na semana passada, o repórter e apresentador Fábio Pinel entrevistou o comentarista Tostão por quase uma hora, e o ex-craque do Cruzeiro e da Seleção Brasileira fez uma análise cuidadosa do Brasileirão que não pôde ser explorada na sua extensão e profundidade na edição do Meio de Campo de ontem e deve voltar a ser assunto de Esportes ao longo da semana, nos programas diários e neste blog.

Concedida antes da rodada que terminou ontem, Tostão antecipou a arrancada do Internacional e disse que não vê o Palmeiras de Luxemburgo como favorito. Na briga pelo título, alinhou também Grêmio, Cruzeiro, Flamengo e São Paulo, com o Botafogo correndo por fora.

Avesso a palpites, Tostão, contudo, preferiu enxergar nos favoritos ao caneco uma organização e planejamento que faltam aos demais, e se materializam em resultados consistentes ao longo da maratona de pontos corridos. Num torneio deste tipo, formula Tostão, é fundamental que a diretoria aposte no trabalho de um técnico, contrate de maneira inteligente para ter reservas de qualidade, saiba promover novos valores e não dependa apenas de um ou dois jogadores para conquistar pontos.

Na parte de baixo da tabela, o analista de futebol vê poucas esperanças para Ipatinga e Portuguesa e fica na expectativa de ver quem engrossa a lista da série B entre os “grandes” de outrora – Fluminense, Vasco e Santos. Também entre os grandes de outrora figura o Atlético-MG. Ainda que temperado por uma gentileza mineira, o diagnóstico de Tostão não inclui a possibilidade de o time centenário mudar de página na tábua de classificação. Mas acredita que o risco de rebaixamento é remoto.

São estes alguns dos pontos que a íntegra da entrevista traz. Para o torcedor do Cruzeiro, boas notícias. Tostão acredita que o trabalho de Adílson Batista possa levar ao título e o prefigura entre os grandes treinadores do futuro. Para o torcedor do Ipatinga, resta a esperança de o olhar do comentarista estar ligeiramente fora da alça de mira. Para o torcedor do Galo... Bem, este se acostumou a acreditar mais no que lhe aponta o coração sofrido do que no que enxerga entre as quatro linhas.

Mas fiquem ligados. Tem mais Tostão por vir. Inclusive com críticas ao trabalho de Dunga na Seleção.

Alexandre Freire escreve às segundas-feiras

28 de setembro de 2008

Gols da 27ª rodada do Brasileirão

Onde os fracos não têm vez

Não se pode vacilar na série A do Campeonato Brasileiro. Vacilou, perdeu. Perdeu, caiu na tabela. O adversário está sempre à espreita, à espera de um cochilo.

O Grêmio, ex-futuro campeão brasileiro de 2008, cochilou e já deu adeus à liderança, antes folgada. Talvez Celso Roth tenha sido demasiadamente zeloso ao seu estilo de dar atenção exagerada a sua defesa...

Já Adilson Batista está pagando alto pela falta de ousadia. Quando deveria estar brigando pela vitória, se mostrou satisfeito com um empate contra o São Paulo. E, imediatamente depois de trocar um atacante por um lateral , tomou o primeiro gol e perdeu o jogo. Se fosse no Mineirão teria ouvido o coro da torcida: burro! burro!, desta vez com muita justiça.

Os pontos fortes da rodada: o Palmeiras que chega ao primeiro lugar; o Internacional, que já começa a brigar por uma vaga no G4. Além de Goiás, São Paulo, Flamengo e, por que não, o Ipatinga, que já enxerga a possibilidade de deixar o D4, como é popularmente conhecida a zona do rebaixamento.

Os pontos fracos: O Cruzeiro, pelo vacilo, e o Atlético, por não conseguir marcar um gol na pior defesa do Brasileiro.

Túlio Ottoni passa a escrever aos domingos a partir de hoje.

27 de setembro de 2008

Sem Marcinho, mas rumo ao título

Camaradas,

No Rio de Janeiro, chovia a cântaros (como diriam os antigos). Até os 30 minutos do segundo tempo, tendo levado um mísero gol, o Flamengo perdia para o Sport e levava a torcida à loucura, com passes errados, pouca técnica e nenhum desenho tático definido.

Eis que entrou em campo a mística rubro-negra, dando contornos épicos ao jogo. E danem-se os passes errados, a técnica nenhuma e a ausência de tática: imantados de raça, os jogadores se iluminaram, especialmente Juan: tabelando com Vandinho – que acabara de entrar em lugar de Ibson –, o lateral entrou pela esquerda, fugiu da falta e tocou entre as pernas do goleiro Magrão, até então há mais de 400 minutos sem levar um gol.

Falei de contornos épicos? Pois então: não satisfeitos, os jogadores continuaram a pressão contra o time pernambucano, alheios ao temporal, ao empate, a tudo. Só importava a obsessão da vitória. Que veio quase ao final, em cabeçada de Vandinho, após cobrança de escanteio pela direita.

Vandinho saiu da partida emocionado, pois participara dos dois tentos, que colocam de vez o time carioca na briga pelo título. Ou alguém duvida que amanhã tropeçarão o Grêmio diante do Internacional, o Palmeiras frente ao Náutico e o São Paulo contra o Cruzeiro?

Vandinho, aliás, é um dos muitos centroavantes à disposição do técnico Caio Júnior, que quebra a cabeça para formar um time, assobiável pela torcida, o que até agora não aconteceu.

A verdade é que, incrivelmente, Marcinho continua a ser o artilheiro do Fla, com sete gols, seguido de Ibson e Leonardo Moura. Depois da saída do atacante para o futebol árabe, já tiveram sua chance para furar a rede dos adversários Obina (que também atuou contra o Sport), Maxi e Josiel (que saiu no intervalo e continua virgem de gols, depois de três atuações).

Chovia a cântaros no Rio, e os jogadores, de alma lavada, vibraram pela vitória tanto quanto a torcida.

Agora, este campeonato maluco, com atuações irregulares dos candidatos ao título, com poucos dérbis que valham realmente a pena assistir, esquenta de vez.

Abram alas, aí vem o pentacampeão Flamengo, a apenas 4 pontos do líder.

Fabrício Marques é jornalista e doutor em Literatura.

26 de setembro de 2008

Cresce a torcida do Galo


Amanhã, Eduardo, um especial novo atleticano, desta torcida que só cresce, faz 27 dias.

Ele resolveu usar a camisa de véspera. Fanático o rapaz. Como o resto da torcida.

Parabéns, Dudu. E que o Galo te homenageie em campo!

Eu quero ver gol!

Gol. O maior momento do futebol. Maior do que a própria vitória – sempre uma conseqüência de um ou de mais gols. Balançar as redes não é tão fácil quanto marcar pontos no basquete ou no vôlei, onde os placares são sempre altos. Por isso, fazer com que a bola ultrapasse aquela linha de 7m32cm entre as duas traves é fundamental para quem pensa em títulos. Como diz Dadá Maravilha: “Não existe gol feio. Feio é não fazer gol!”. Pode ser de longe, usando a cabeça ou de canela mesmo. Os mais habilidosos fazem de letra, ou de bicicleta. Até goleiros podem marcar.

O fato é que quanto mais vezes um time marcar, maiores são as chances de ser campeão. Quatro dos últimos cinco campeões brasileiros tiveram o melhor ataque. Em 2003, o Cruzeiro fez 102 gols. No ano seguinte, o Santos superou a marca celeste, ao balançar as redes 103 vezes. Em 2005, o Corinthians marcou 87 gols. E o São Paulo conquistou o título de 2006 com 66 gols a favor.

Mas toda regra tem uma exceção. No ano passado, o tricolor paulista fez 55 gols – apenas o 9º melhor ataque. Foi salvo pela defesa, que sofreu apenas 19 gols. O Cruzeiro teve o ataque mais eficiente: com 73 gols, mas ficou em 5º lugar.

Este ano, até a 26ª rodada, os cinco melhores ataques pertencem aos cinco primeiros colocados. Na 2ª posição, o Palmeiras é o time mais ofensivo, com 43 gols. O Cruzeiro, que está logo atrás do alviverde na classificação, já marcou 42 gols. O líder Grêmio, o Flamengo (em 4ª lugar) e o São Paulo (5º), estão empatados com 41 gols. Pelas estatísticas, o Palmeiras é o favorito para conquistar o título de 2008. E não seria surpresa se a equipe de Luxemburgo faturasse o caneco. Ele era o treinador do Cruzeiro em 2003, e do Santos em 2004.

Essa não é a minha previsão. Números não mentem, mas esses ainda vão mudar bastante. Faltam 12 rodadas e o futebol é – e sempre será – imprevisível. Vem aí um final-de-semana agitado, com o confronto direto entre São Paulo e Cruzeiro (no Morumbi) e o clássico Gre-Nal, em Porto Alegre. Sem falar de Flamengo x Sport e Náutico x Palmeiras. Quem marcar mais gols estará um passo à frente.

Fabio Pinel escreve às sextas-feiras.

25 de setembro de 2008

Charge Fidusi


Nada mudou

Tive a oportunidade de produzir e dirigir o documentário “Histórias de uma Paixão Centenária” sobre os 100 anos do Atlético que a Rede Minas exibiu na semana do aniversário do clube.

Durante as entrevistas e estudos feitos na produção, pude perceber que várias coisas no Atlético foram feitas no improviso. Desde o campo no Parque Municipal, passando pelos alojamentos sob a arquibancada de Lourdes e a Vila Olímpica (clube social e centro de treinamentos) até os dias de hoje parece que pouca coisa mudou.

Passada uma semana da renúncia de Ziza Valadares ninguém assumiu o comando do clube e a eleição chegou a ser considerada secundária. Agora o ex-presidente Afonso Paulino diz que é o diretor de futebol do Atlético e não vai - e nunca irá - ser remunerado para exercer qualquer função dentro do clube.

Deixo aqui mais uma vez algumas perguntas. Como fica a situação do diretorde futebol Alexandre Faria que foi contratado e recebe para exercer essa função? Se ele não for mais o responsável pelo futebol, o Atlético vai continuar pagando o seu salário? Se ele for demitido, quem vai negociar sua rescisão contratual? Como fica o clima entre os jogadores e treinador que até então eram subordinados a Alexandre Faria?

Agora me responda essa. Você assumiria um cargo de diretor de uma empresa com uma dívida de R$ 220 milhões, sob a pressão de milhões de“consumidores” insatisfeitos, que ameaçam sua família e arrombam seu local de trabalho, subalternos limitados, uma folha salarial impossível de ser paga até o fim do mês e com a concorrência atropelando seu mercado deforma avassaladora sem receber um centavo por isso?

Cláudio Gomes escreve às quintas-feiras

Pirotecnia com dinheiro público

Tem hora que dá vontade de ir embora e pedir para o último apagar a luz. Depois de um ano e três meses do término do Pan, o Ministro do Tribunal de Contas da União, Marcos Vilaça, apresenta o relatório dos gastos da competição. Dinheiro público que serviu, entre outras coisas, para financiar o show pirotécnico na abertura e encerramento do Pan do Rio. Um “espetáculo” que custou R$ 1,3 milhões de reais.

Foi tudo muito bonito. Não faltaram fogos. Mas com esse dinheiro é possível bancar alguns bons projetos sociais que não contam com um tostão do governo. Projetos sérios que formam atletas e vêem esses mesmos jovens, com potenciais, deixando o esporte por não terem oportunidades. Muitos partem para ganhar um salário e manter a casa.

As minguadas medalhas conquistadas nas olimpíadas são reflexo disso tudo. O atleta brasileiro tem que comemorar mais que qualquer um, pois as dificuldades são grandes. Já o país, tem muito que aprender, e quem sabe um dia, o jovem que não teve a possibilidade de ganhar uma medalha olímpica, não veja o filho conquistar o sonho do pai.Obs.: depois do São Paulo Futebol Clube, que garantiu R$ 17 milhões, e do Atlético Mineiro, outros R$ 11 milhões, agora é a vez do Santos captar R$ 4,1 milhões da Lei de Incentivo ao Esporte. Lembra da história do filho ganhar a medalha que o pai não conquistou. Esquece!

João Paulo Ribeiro

24 de setembro de 2008

O mundo da bola é assim mesmo

Dizer que o mundo da bola dá voltas soa como redundância. Mas é isso mesmo que posso afirmar. E essa reviravolta às vezes tem o tempo do ciclo de uma lua. Na coluna da semana passada, praticamente joguei a toalha para a possibilidade de título brasileiro do Cruzeiro, por causa da derrota para o Palmeiras em casa.

Agora, com a vitória sobre o Figueirense lá na ilha catarinense e os outros resultados do fim de semana, algo mudou nas minhas previsões. E tudo passa pelos jogos contra São Paulo, Sport e Ipatinga, as três próximas tarefas azuis no Brasileirão. Vencendo os três, o Cruzeiro acumula pontos suficientes para “dar linha” na ameaça que vem do Morumbi.

E com alguns tropeços imagináveis de Palmeiras e Grêmio, a primeira posição tende a se descortinar para a Raposa. E o destino celeste passa ainda por situações que envolvem times arqui-rivais.

Na próxima rodada, o Tricolor gaúcho encara o Internacional no Beira-Rio. Derrota possível, já que o Colorado está na ascendente e o Grêmio... E o Palmeiras enfrenta o aflitíssimo Náutico no Estádio dos Aflitos. Se o Timbu tiver humildade suficiente para usar o tape do rival Sport, que goleou o Verdão no Parque Antártica... Aí, na seqüência, o Palmeiras tem justamente o Atlético pela frente.

Se tudo correr como nesse meu lunático – mas possível – cruzamento de resultados, o Cruzeiro pode pintar de favorito ao título no clássico contra o Galo, dia 19 de outubro.

Voltas que o mundo da bola dá...

Eduardo Almada escreve às quartas-feiras.

23 de setembro de 2008

Futebol de ponta de estoque

O técnico Emerson Leão afirmou que o futebol brasileiro está sobrevivendo com a “Ponta de Estoque”. Quando dirigiu o Galo, em 2007, Leão reafirmou que tínhamos, no momento, a ponta de estoque. O que ele quis dizer com a expressão? Bom, significa que o elenco das equipes é formado por jogadores de ruim a médio. Os bons estão no futebol do exterior. Por isso, os técnicos têm que se virar com o que sobrou de peças de reposição no futebol brasileiro.

Concordo com Leão e diria mais: além de sobrevivermos com a ponta de estoque, temos nesse contexto as chamadas “Peças LD”, com “Leves Defeitos”. Ou seja, jogadores que voltam ao futebol brasileiro com lesões crônicas. Estes vivem de “chinelinho”, no departamento médico.

Para complicar, esses jogadores “mais rodados” retornam do exterior quase sempre com o prazo de validade vencido. Exemplos não faltam: Pet é bom de bola? É claro!!! Mas as pernas não acompanham mais o raciocínio do atleta. E o Marques? É um dos melhores profissionais que o Galo tem. Sou testemunha disso: ele é pontual e dedicado, justifica a palavra profissionalismo.

Mas, além do fôlego não ser mais o mesmo, Marques se vê obrigado a “alimentar” um ataque de ponta de estoque. Mediano mesmo.

Tem exemplo no Cruzeiro também. Por falta de opção, o clube investiu no lateral Maurinho. Ele sabe jogar? Sabe. Tem crédito com a torcida? Tem. Mas, brincadeira, ele ficou parado quase um ano e nesse período o clube não firmou um ala de verdade. Por quê? Porque vivemos com a ponta de estoque. Maurinho se reciclou e mostrou que ainda pode ser aproveitado.

Agora, o Palmeiras. O Verdão promoveu a volta do zagueiro Roque Júnior, de 32 anos, campeão mundial em 2002. Roque tem moral para jogar. Não lhe faltam títulos, mas retornou do futebol do Catar sob olhares desconfiados. Tem fôlego ainda? Vai pegar os atalhos, com certeza.

Há um nicho para jogadores veteranos, com leves defeitos ou ponta de estoque no futebol brasileiro. Afinal, o material de primeira é exportado com apenas 16 anos de uso. Vão atuar no exterior em busca dos dólares e euros. Nós ficamos com a liquidação de fim de inverno, a ponta de estoque.

Baltazar filho é jornalista Rede Minas

22 de setembro de 2008

Charge Duke

É a dívida que manda no Galo

A dívida, hoje de 220 milhões, e os déficits seguidos dão o tom das administrações no Atlético. Não acredito que alguém tenha alguma fórmula para mudar este cenário. Principalmente porque, seja quem for que assuma a cadeira, descobrirá que já tem quem mande no Atlético.

Kalil pode ser candidato (oficialmente ainda não é). Muitos estão espantados com o fato de Ricardo Guimarães apoiá-lo. Mas, ninguém chegará à presidência sem o aval do ex-presidente-banqueiro. A maior dívida do clube é justamente com ele. Imagine você, torcedor, que, na condição de presidente do Galo, não aceite fazer parceria com Guimarães. Você toma posse no cargo e no dia seguinte batem na sua porta cobrando cerca de 80 milhões de reais. O que você faria?

Portanto, Ricardo Guimarães nunca deixou o Atlético. Mesmo sem ir todos os dias à sede de Lourdes, assentar na cadeira da presidência e despachar, ele ainda é o presidente do clube. Quem se opuser a esse sistema em que o Atlético se encontra e conseguir, ainda assim, tirar o Galo do buraco, estará com méritos na cadeira de presidente e – não tenho dúvidas –, ficará para sempre na memória do torcedor.

João Paulo Ribeiro escreve às terças-feiras

Como a crise política afetou os jogadores do Galo

Existem jogadores de futebol e jogadores de futebol. No Mineirão, depois do jogo entre Atlético e Náutico, duas opiniões de jogadores chamaram minha atenção.

Marques, tradicional e ligado às coisas do Galo, mostrou todo o alívio com o resultado de vitória e da paz que os três pontos trazem à política do clube. Marques, que é um dos maiores artilheiros da história centenária, sabe que o Atlético está mergulhado em mais um conflito político. Ele tem consciência de quanto o momento é decisivo para o futuro próximo do Atlético. As palavras foram poucas, entretanto, fortes e marcantes. O xodó, como ele é conhecido, disse que sabe o que ele representa para o grupo, sabe que acaba blindando os outros jogadores. Consciente! Pena que não tenha a mesma ligeireza nas pernas.

Ligeiro é o Serginho. O atual volante de marcação e saída pela esquerda é conhecido como flecha. Voa com a bola. Fez um golaço contra o Atlético Paranaense, no Mineirão. Se com as pernas ele mostra muita velocidade e algum brilhantismo, na organização das palavras Serginho se mostrou um tanto quanto desatento ou alienado. Perguntado sobre a saída do presidente Ziza Valadares na última semana, Serginho soltou uma pérola: “perdemos um grande profissional, mas, ele vai se dar bem em um outro grande clube.” O jovem jogador nunca deve ter vivido um momento político tão tumultuado, no entanto, esperar ver o presidente Ziza “brilhando” em outro clube...

É certo que a cabeça do Marques deve estar mais quente, ele sabe e bem o que está ocorrendo, já o Serginho deve estar tranqüilo descansando. Dentro de alguns dias ele vai soltar outra pérola e vai acabar perguntando: “Onde está aquele senhor de bigode que vinha sempre aqui?”.

Mário Marra - Comentarista das rádios Globo e CBN

Ou Palmeiras ou Cruzeiro

A doze rodadas do encerramento, o Brasileirão ganha claras linhas entre as equipes. Ao título, aposto em Palmeiras ou Cruzeiro. São os times que jogam com alegria, coisa que anda sumida e os diferencia do líder Grêmio, do burocrático Celso Roth.

Deu gosto de ver ontem o jogo entre o time da Toca e o Figueirense. Mesmo tomando a virada, quando o Figueirense marcou o terceiro gol, o time de Adílson Batista manteve uma atitude agressiva e conquistou a merecida vitória na casa do adversário.

Em São Paulo, o Palmeiras de Luxemburgo confirmou as expectativas de que briga pelo título. Vencer o Vasco não chega a ser um feito, mas a estréia de Renato Gaúcho no comando do time de São Januário, candidatíssimo ao rebaixamento, tornava as coisas mais complicadas um pouco.

Bom ver que mesmo num campeonato equilibrado e nivelado por baixo, começam a despontar na reta final os times que jogam bonito e com eficiência. Têm toque de bola, meios de campo que fazem a diferença, atacantes que definem.

Com foco nos mineiros, o Atlético parece que não corre o risco do rebaixamento. O jogo horroroso contra o Náutico no sábado serviu para mostrar que, com a saída de Ziza, mesmo que as turbulências políticas continuem, a torcida decidiu apoiar a equipe. Quem acompanhou a partida contra o Timbu sabe que o Galo tem um time limitadíssimo e só com a ajuda da lendária camisa 12 fica na elite do futebol brasileiro.

Quanto ao representante do Vale do Aço, pouca gente além do Fábio Pinel acredita na possibilidade de que o time escape do rebaixamento. 2008 chega na reta final e, tirando o Cruzeiro, o futebol de Minas não tem o que comemorar. Nem na série A nem no restante. Vamos ver o que o Ituiutaba ainda consegue na série C. Outro centenário, o Villa Nova de tantas tradições, faz cem anos como o Galo – em branco. E o América a duras penas ficou na terceira divisão.

Pouco para um Estado que já lutou pela hegemonia do futebol brasileiro.

Alexandre Freire escreve às segundas-feiras

Charge Duke


20 de setembro de 2008

A virada?

A semana do Galo foi bastante tensa, por conta de investigações do Ministério Público, da saída de Ziza Valadares, e da indefinição quanto ao novo presidente. No jogo contra o Náutico, o abalado time do Atlético acabou levando o primeiro gol da partida (Ruy marcou para o Timbu, aos 17 da primeira etapa). Em noite fria no Mineirão, o campeão do Gelo aos poucos foi se ambientando, até empatar com Renan Oliveira, aos 42 minutos do primeiro tempo. Quanto mais o frio aumentava, mais o Atlético crescia e enfim conseguiu virar a partida aos 21 minutos da etapa final. E Ficou nisso, 2 a 1 Galo, uma vitória suada, mas que deve amenizar um pouco o clima atleticano.


Frieza, essa é a palavra e o sentimento que o Atlético deve ter para tentar superar essa crise. Acredito que o Galo não será rebaixado, e por isso é preciso pensar, com urgência, em um projeto sério para o time em 2009. É necessário dar um basta nas promessas falsas e principalmente em administrações corruptas, que deixaram o clube com dívidas quase impagáveis. E essa é a hora, já que eleições estão próximas.


O próximo presidente terá uma difícil missão e, para superá-la, ele precisará ter pulso, humildade, honestidade, e frieza. A situação do Atlético é mais feia do que se parece, e portanto a virada na crise não será tão fácil como foi a virada em cima do deficiente time do Náutico.


A apaixonada torcida atleticana deve ter paciência com o time pelo menos até dezembro, mas não se esquecendo de cobrar soluções reais para os próximos anos, pois ninguém aguenta mais ver o pessoas manchando a grande história atleticana.


Jhonny Póvoa escreve aos sábados.

19 de setembro de 2008

Chove lá fora...

Você tem sede do quê? Você tem fome do quê? Para a torcida do Galo, a resposta é simples: de vitórias, títulos, craques, grandes jogos e grandes alegrias, coisas que andam meio raras ultimamente. É claro, uma vitoriazinha aqui e ali, um craque na maturidade ou uma jovem promessa aparecem de vez em quando, mas numa dosagem de conta-gotas que quase mata de inanição o nosso magro paciente. Quando vem uma dose um pouquinho maior, a torcida comemora e se manifesta como louca, incendiando a cidade e fazendo a gente lembrar como eram bons aqueles tempos de Reinaldo, Cerezo, Éder Aleixo... E os mais velhos se lembram de Guará, Zé do Monte, Ubaldo... Até nessas horas, os sintomas da enfermidade aparecem, pois a comemoração vem sempre acompanhada de um certo constrangimento e de muitos comentários dos inimigos, assinalando a modéstia do triunfo e a fome, que continua negra.

Mas no futebol, como na arte e na vida em geral, muitas vezes o menos é mais, o perto é longe e o grande é pequeno, chutando pra escanteio todos os fatos, estatísticas e pretensões de objetividade. Por exemplo, as pesquisas que tentam responder à pergunta mais polêmica da cidade: qual é a maior torcida de BH, a do Atlético ou a do Cruzeiro? Os métodos científicos não são capazes responder, os números são contraditórios. Vale mais a presença no estádio ou o quadradinho marcado na fria folha de papel do pesquisador? Nelson Rodrigues com certeza caçoaria dos matemáticos e estatísticos e mandaria às favas os “idiotas da objetividade”, pois a resposta, para ele e para mim, não está nos números. Ela está no coração dos torcedores e no clima de loucura que toma conta da cidade no dia de um grande jogo.

Para um amigo meu, Belo Horizonte é uma cidade atleticana. Sem afetar imparcialidade e deixando de lado as controvérsias historiográficas, confesso que concordo com ele: o Cruzeiro, no início, era um time da colônia italiana, enraizado no Barro Preto e no Calafate; só mais tarde, principalmente na era do Mineirão, sua torcida cresceu (mais no interior do que na capital) e começou a rivalizar com a do Galo. A despeito das estatísticas, é a torcida do Galo que, há exatos cem anos, mais comove os belo-horizontinos. O mesmo se pode dizer dos títulos e das conquistas: uma pequena conquista do Galo, um campeonatozinho da segunda divisão, é muito maior no coração da cidade do que qualquer triunfo cruzeirense. Basta dar uma voltinha no centro, num dia de comemoração, para confirmar.

Por isso, quando o Galo está enfermo, Belo Horizonte inteira adoece e fica mais triste. Aliás, nestes últimos dias cheios de agitação política, descobrimos um paralelismo inesperado entre a seção de esportes e a página de previsão do tempo, nos jornais da cidade. Não foi à toa que caiu aquela chuva de granizo outro dia. Não é à toa que às vezes faz um calor de rachar. Que aquecimento global que nada, é febre! E se vier um terremoto, com certeza será um calafrio! Para nossa própria segurança física e emocional, é imprescindível que comecemos logo a curar o doente!

Lino Rodrigues

Charge Duke

O Atleticano

"Se houver uma camisa branca e preta pendurada no varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento."

Durante muito tempo, essa frase do escritor Roberto Drummond serviu para definir a personalidade dos torcedores do Atlético.

Mas já faz alguns anos que ela é insuficiente para definir aqueles que cantam: "Clube Atlético Mineiro, uma vez até morrer..."

Tudo leva a crer que, ao contrário de todos os outros times do Brasil, e mesmo do mundo, os torcedores do Galo surgiram antes mesmo que o clube fosse fundado, em 1908. O atleticano é anterior ao Atlético.

Na verdade, tudo se passou, no momento da criação, como se o inconsciente coletivo se materializasse em um grupo de estudantes que trocou a sala de aula de um dia de semana por uma reunião no coreto do Parque Municipal, em Belo Horizonte, há cem anos.

Era o inconsciente coletivo dos que resistem a tudo.

O atleticano é, antes de tudo, um torcedor que resiste. Não é por acaso que, no hino do Galo, a ênfase é muito mais em "lutar" do que em "vencer". A vitória é saborosa, mas a luta não tem preço.

Por isso, muito mais que torcer contra o vento, ele foi criando através dos tempos uma couraça invisível que o protege das crises. Parece que cada derrota e cada tristeza alimentam essa couraça e que, ao invés de o derrubar, o jogam para frente.

Entre o nada e a dor, o atleticano prefere a dor. Ele precisa de emoção, e a busca mesmo quando o time não corresponde a esse sentimento.

O atleticano se aperfeiçoa na fraqueza. Quanto mais fraco, mais forte.

O espetacular time dos anos 80, com Reinaldo e Éder à frente, embala seu cotidiano como um estandarte: a qualquer momento ele pode voltar, trazendo alegria às novas gerações, que ainda não vibraram com um título.

Fabrício Marques

Charge Duke

Precisa-se

Precisa-se de homem com experiência em gestão de crise. Deve ser solteiro e sem família, pois a mesma pode sofrer ameaças de morte.

Se possível, ser dono de banco ou possuir muito dinheiro, para aplicar em um investimento de risco. Os interessados devem ser pessoas amigáveis, a fim de evitar atritos com membros do próprio grupo.

Honestidade e transparência na administração também são pré-requisitos. É preciso estar disposto a receber críticas e ouvir reclamações. Além disso, deve cumprir as eventuais promessas que fizer e não falar demais para não dar bom dia a cavalo.

O candidato à vaga deve ter trânsito livre na CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e conhecer bem o esporte. Só não pode ser calvo e usar bigode, para evitar comparações maliciosas.

Cardiologistas têm boas chances de ganhar o emprego, pois já estão acostumados a lidar com milhares de corações doloridos, mas eternamente apaixonados. Salário: um muito obrigado (e olhe lá!).

Ass: Clube Atlético Mineiro


E aí, alguém se habilita?


Fabio Pinel escreve às sextas-feiras no Blog do Meio-de-Campo.

Charge Duke

18 de setembro de 2008

Um Remédio Amargo

Os R$ 220 milhões em dívidas que o Atlético-MG ostenta não são de fato um atrativo para prender presidente que seja no cargo. São cerca de R$ 3 milhões mensais de déficit. Nenhum administrador que se enquadre nos conceitos modernos de gestão é capaz de resolver um pepino desses da noite para o dia. O Ziza Valadares pagou o pato, mas quem vai pagar a conta?

O Atlético já andou rondando o fundo do poço. Não se sabe se o clube escapou por sua grandeza não permitir caber nesse "fundo", como diria Alexandre Kalil, ou se esse fundo já está ocupado por muita gente que entrou primeiro na fila. As mudanças na legislação, a tendência inflacionária do mercado da bola e a convergência do futebol em negócio pegaram muita gente de surpresa. Quem não se organizou, não se profissionalizou, não planejou o futuro sofre hoje de um problema crônico: a "síndrome do mais cedo ou mais tarde".

A era do Brasileirão em pontos corridos, iniciada em 2003, é implacável para clubes que padecem dessa síndrome. Ela já acometeu Botafogo, Grêmio, Palmeiras, o próprio Atlético-MG e, recentemente, o Corinthians. Para alguns ela foi mais severa. Guarani e Bahia, campeões brasileiros, estão hoje, efetivamente, no fundo do poço. Esse buraco vai ficar mais fundo ainda no ano que vem. O calendário da CBF terá a Série D.

A "síndrome do mais cedo ou mais tarde" revela que o curso inevitável para clubes mal administrados é mesmo o rebaixamento. Agora, com pontos corridos, dificilmente vão imperar viradas de mesa, assaltos à mão armada (que já decidiram campeonatos em play offs, vide 1974, 1995), ou mesmo os resultados injustos e inesperados que tornam o futebol algo tão apaixonante. Quem não conseguir curar essas feridas pode sofrer de um mal ainda maior: a "síndrome do encolhimento". Resta então ao martirizado e centenário torcedor do Galo rezar. O remédio para esta síndrome parece ter um custo muito alto, quase ilusório aos mutilados cofres alvinegros.

Cyro Gonçalves

Mineirão - Campeão do Gelo

Foto: Ademg

A renúncia: guardadas as devidas proporções

Quem diria, hein??!! Um homem da “envergadura” de Luiz Otávio Mota Valadares, o popular Ziza, teve coragem de renunciar. Depois de ter garantido que não sairia “em hipótese alguma”, Ziza Valadares sucumbiu e renunciou ao cargo de presidente do Atlético.

A resistência do sucessor de Ricardo Guimarães durou pouco mais de um ano e meio. E o que o ex-diretor de futebol, guindado à condição de principal executivo do Clube Atlético Mineiro pelo título da Série B, conseguiu? Criar um time sem identidade que, de tanto dar desgosto, acabou órfão de quem mais o ama – a torcida. Uma nação inteira que agora vê o principal dirigente abandonar a nau à deriva.

E por falar em nação, vale lembrar que Ziza justificou sua decisão nas pressões e críticas que vinha recebendo, assim como aquele presidente que ficou famoso pelo mote da vassourinha. É, aquele que renunciou há quase cinqüenta anos!!! São quadros parecidos, com o perdão do trocadilho. Isso porque, tanto em 1961 quanto em 2008, as forças ocultas, vistas como terríveis, serviram para explicar o ato de abandono.

A diferença nos cenários políticos está na pretensão dos renunciantes. Se Jânio, ao renunciar, imaginava retornar ao poder “nos braços do povo”, o agora ex-presidente atleticano pode “tirar o cavalinho da chuva”. O pobre eqüino pode se cansar de esperar ou então ser vitimado por um desses temporais de granizo.

Eduardo Almada

Charge Duke


Tempestade lava o centenário

A tempestade de granizo que caiu ontem sobre a capital com força destruidora, vista de hoje, parece ter sido um presságio para as hostes atleticanas. Os ventos que fizeram desabar do céu montanhas de gelo também varreram a sede do Atlético. Ao olharmos de novo, Ziza já não está mais lá. Um processo de mudança está em curso.

Inevitável lembrarmo-nos de Roberto Drummond e da imagem poética da camisa alvinegra no varal açoitada pela tempestade. Desta vez, o atleticano parece ter torcido pela tempestade. Não que o poeta-escritor estivesse errado. A tempestade, que em outros tempos representava o inimigo, hoje, dialeticamente, é um aliado. Os inimigos espertamente mudaram de lado, instalando-se atrás das linhas onde combatentes atleticanos firmaram trincheiras. E com isso ameaçavam um patrimônio simbólico centenário.

Não é qualquer instituição que faz cem anos. Não é qualquer clube que se torna instituição. Muitos – e muito bem sucedidos – são apenas empresas. São fruto de uma época em que a racionalidade que manda é a econômica.

O Atlético – ainda que precise, tenha e deva se modernizar, se tornar administrativamente mais transparente – é fundamentalmente poesia, tradição, paixão, história. Não há como explicar isto. É algo da ordem da cultura – algo de que sabem torcedores do Flamengo, do Corinthians, do Boca.

Bem-vinda a tempestade. A destruição eventualmente pode deixar um rastro de beleza – como atestou a chuva de granizo ontem. As camisas alvinegras que estavam no varal tombaram valentes. Outras hoje, depois da notícia da renúncia do Ziza, tomaram de assalto as ruas da capital. Representam a esperança por novos tempos. Como a paixão pelo Galo forte vingador, que renasce a cada dia há cem anos.

Alexandre Freire

Charge Duke

Já vai???

Estava marcada para hoje, aqui na Rede Minas, uma entrevista exclusiva com o presidente do Atlético Ziza Valadares. Dentre os assuntos, como a campanha no centenário e dívidas históricas do clube, a investigação sobre as parcerias do Atlético, que o Conselho Deliberativo propõe, estava na pauta.

Porém, a menos de meia hora da entrevista o assessor de imprensa ligou para a emissora, alegou que Ziza teve um imprevisto e cancelou.

O motivo foi revelado mais tarde. Ziza Valadares anunciou sua renúncia e não é mais presidente do Atlético.

Na sua entrevista coletiva o ex-dirigente acusou membros com conselho de fazerem ameaças a ele (carta anônima entregue na sua residência) e de deixarem torcedores causar depredação na sede. Para ele essas foram pressões que o levaram a deixar o clube, só que o torcedor se sente abandonado há muito tempo.

As goleadas, as transferências e vendas de jogadores, as dívidas que não cansam de aumentar e parcerias no mínimo equivocadas, fizeram com que cada vez mais o atleticano se afastasse do estádio.

Ziza pula fora e fica a pergunta que não quer calar: E agora?

Até breve!!!

Cláudio Gomes escreve as quintas-feiras.

17 de setembro de 2008

Charge Duke

Adeus bicampeonato, até breve Segundona

Depois da derrota para o Palmeiras, a pergunta que mais ouvi é se o Cruzeiro tinha deixado escapar a chance de brigar pelo título. Pus-me a pensar e não precisei de muito tempo para vaticinar: bicampeonato brasileiro, só se for no ano que vem! Em tempo: não considero a Taça Brasil de 1966 como um campeonato brasileiro. Taça Brasil é Taça Brasil e pronto! Nomenclaturas...

Logicamente levei em consideração que ainda restam treze jogos e, portanto, 39 pontos em jogo. Mas, ao analisar os adversários da Raposa até o dia 7 de dezembro, conclui: alguns adversários tem tudo para tirar de vez o time de Adilson Batista da briga pelo primeiro lugar.

A começar do Figueirense, próximo oponente. Isso é que é dar a cara a tapa e sem medo de tabefes! Depois têm São Paulo, Atlético-PR, Goiás e Internacional. Isso só para contar alguns adversários que enfrenta fora de casa. Porque se levar em consideração os “porcos magros”, Sport, Ipatinga e Náutico podem muito bem “sujar a água” cruzeirense.

Na extremidade inferior da tabela, Atlético e Ipatinga esperneiam para evitar a degola. O Tigre tem tudo para cair nas próximas quatro rodadas, já que enfrenta os “famosos” Flamengo, Vasco, São Paulo e Cruzeiro. E se não cair já, cai nas três últimas: Palmeiras, Grêmio e Fluminense.

O Galo, ah... o Galo... Esse já entra em campo desesperado contra Náutico e Figueirense. São jogos em casa, é verdade! Mas a torcida, a quem foi destinada e imortalizada a camisa 12, sumiu. E sem ela, o Atlético é um time pra lá de comum! E a seqüência atleticana é amargosa feito boldo com fel: Palmeiras e Flamengo fora, Cruzeiro e Internacional também no Mineirão.

Não me veja como um pessimista. Eu analiso o futebol praticamente desprovido de paixão (pelo menos eu me esforço!). Mas essas previsões não deixam de ser um exercício de futurologia. E tomara que eu esteja errado (aqui, um pouco de paixão...).

Eduardo Almada escreve às quartas-feiras.

16 de setembro de 2008

Charge Duke

666

Seis pontos separam o Atlético (12º colocado com 30 pontos), do Internacional, (11º, 36 pontos). O Galo vai precisar ralar muito para subir na tabela e se manter afastado da zona de rebaixamento. E terá que começar agora quando faz duas partidas em casa: Náutico (13º, 29 pontos) e Figueirense (15º, 28 pontos), adversários diretos na luta contra o inferno da segunda divisão. Duas certezas: se vencer os dois jogos, o Atlético não sobe sequer uma posição, mas fica mais distante da zona da degola. Agora, se perder pontos, a queda na tabela será inevitável.

Seis pontos também separam o Cruzeiro (3º,43pontos) do Grêmio (1º, 49 pontos). Os Cruzeirenses acham que a derrota para o Palmeiras deixou o time mais longe do título. E eles têm toda razão. Agora serão duas partidas fora de casa: Figueirense e São Paulo (5º, 42 pontos), este um adversário direto na disputa pelo caneco. Se depois dessas duas rodadas a diferença entre Grêmio e Cruzeiro for superior aos seis pontos, adeus bicampeonato.

Previsões apocalípticas de um especialista em números,amigo deste colunista.

Túlio Ottoni escreve às terças-feiras.

15 de setembro de 2008

Charge Duke


Vontade de vencedor

Certa vez o treinador Tite disse que o futebol tem quatro planos com os quais um comandante tem de se preocupar: técnico, tático, físico e emocional. Num Brasileirão pobre tecnicamente e numa época em que tática e preparação física estão niveladas, parece que a chave para se dar bem é o coração.

Isso explica ontem a vitória do Palmeiras sobre o Cruzeiro. Luxemburgo é um técnico que sabe mexer com os brios dos jogadores. Além de montar times com qualidade técnica e disciplina tática – ontem travou o adversário com seis jogadores no meio e um atacante isolado –, faz com que seus atletas joguem com vontade de vencer.

A mesma vontade não teve o Cruzeiro. Time por time, acho o da Toca muito melhor, dono do mais criativo meio-de-campo do campeonato. 46 mil torcedores no Mineirão viram a Raposa finalizar muito mais, mas tiveram de se conformar em levar para casa uma derrota que talvez tenha sido a despedida para o sonho do bi.

Faltou coração ao time celeste. Foi um jogo entre o mestre Luxemburgo e o discípulo Adílson. O mestre não ensina o pulo do gato: mexer na alma. Talvez falte ao Cruzeiro a alma de campeão. Como acreditar que, com um jogador a menos, o Palestra tenha conseguido resistir ao volume de jogo do Cruzeiro no segundo tempo?

Falta de coração é também um problema grande para o Atlético. É o que mais martiriza sua sofrida torcida. A falta de brio. Claro que, além disso, o time também é ruim tecnicamente. Marques e Petkovic pertencem ao passado. Taticamente, é um time sem cara. Não há nada no Atlético de hoje que remeta à tradição de sua camisa, cantada pelo seu hino, personalizada por sua torcida.

Quem apostou em Marcelo Oliveira no comando do time imaginava que ele fosse capaz de dar coração ao alvinegro, promovendo jovens identificados com o clube, coordenados por alguma experiência em campo e empurrados pela massa. Não tem dado certo.

O Cruzeiro ainda pode achar o caminho do coração. O Galo deixou o coração com a torcida. Para o time da Toca, há esperança. Para o time centenário, a esperança é que o ano acabe sem maiores humilhações e que uma renovação varra do cenário as figuras patéticas que a massa observa angustiada entre Lourdes e Vespasiano.

Alexandre Freire escreve às segundas-feiras.

14 de setembro de 2008

Gols da 25ª rodada do Brasileirão

O número 1 não é por acaso!

Eles podem ser heróis por um instante. Para no jogo seguinte se tornarem vilões. Alguns dizem que eles são ágeis e velozes como um gato. Outros falam que estão mais pra ave do que pra gato.

Você já deve estar cansado de ouvir: “ele é intocável dentro da área”. Como se fossem deuses! Mas se fosse verdade, não sofreriam tamanha humilhação nas cobranças de pênalti com as “paradinhas”.

A história mostra que os goleiros brasileiros nunca são unanimidades. Campeões mundiais, como Taffarel, ou responsáveis diretos por títulos, como Dida na final da Libertadores de 1997, os donos da área estão sempre na berlinda.

Mas um ditado, tão batido quanto o chão que pisam os goleiros, ainda prevalece. No Brasileirão, quem tem um bom goleiro pode estar a um passo do título. Prova disso foram os dois últimos campeonatos brasileiros conquistados pelo São Paulo. O time teve como líder Rogério Ceni. Além das defesas, o jogador são-paulino foi importante na hora de fazer gols. Uma revolução nessa profissão.

Em 2008, a cada defesa de Victor, os gremistas sentem-se mais perto do título. É o goleiro que menos levou gols. Não bastasse, ainda lidera o ranking da revista Placar.

Segundo a revista especializada, Victor é melhor jogador da competição, até a 24ª rodada. É também um dos que mais contribuíram com defesas difíceis nesse campeonato.

Prova de quem tem um bom goleiro e pode sonhar com o título é o Cruzeiro. O time levou 25 gols em 24 jogos (isso antes do jogo contra o Palmeiras). É o quarto menos vazado. Posição que melhora quando pegamos o
ranking da revista Placar. Passa a ser o segundo melhor goleiro e o terceiro entre todos os jogadores do Campeonato Brasileiro.

Outros clubes que também estão na ponta da tabela ficam tranqüilos quando o assunto é goleiro. Palmeiras e São Paulo têm garantido vitórias importantes graças a Marcos e Rogério Ceni.

Por tanto, quando for gritar “frangueiro”, lembre-se que uma vitória pode estar nas mãos do goleiro, e hoje em dia, também nos pés.

João Paulo Ribeiro escreve aos domingos.

Charge Duke


12 de setembro de 2008

Ipatinga x Galo

Atlético e Ipatinga se encontram pela última vez esse ano, um ano frustrante para as duas equipes. 2008 era para ser comemorado tanto pelo alvinegro quanto pelo Tigre. Enquanto o Galo completa 100 anos de fundação e de muita tradição, a equipe do Vale do Aço faz uma década de existência e já disputa a série A do Brasileiro. Mas qual é (foi) o problema? Essa resposta deve estar na ponta da língua de cada um dos torcedores, de ambos os times: fracas campanhas apresentadas.

A torcida do Atlético terminou o ano passado esperançosa quanto ao rumo da equipe em 2008, depois de ver o time tendo uma arrancada excelente no final do Brasileirão. Mas as duas primeiras desilusões vieram ainda em 2007, com a saída do técnico Leão e a chegada de Geninho.


Tudo já indicava um princípio de turbulência, que aumentou depois da final vergonhosa no Estadual e também da queda humilhante na Copa do Brasil diante do Botafogo. Ah... Botafogo!!!. Resultado: queda de Geninho. Para tentar contornar a situação, a diretoria atleticana errou de novo ao trazer o técnico Gallo, que não
acrescentou nada e ainda conturbou o ambiente. Para tentar abafar o clima, a diretoria efetivou Marcelo Oliveira, que até melhorou um pouco o time, mas não conseguiu segurar o Galo na Sul-americana . O centenário atleticano é para ser esquecido pelos torcedores: afinal foi um ano de goleadas, seis no total (até aqui).

A torcida do Ipatinga também terminou o ano passado entusiasmada, pois viu seu time dar certo. Em 2008, a equipe começou com alguns tropeços e isso culminou na precipitada saída de Emerson Ávila do comando. Daí veio uma crise que até hoje não foi superada. Como substituto, foi apresentado Moacir Junior, mas sua entrada não fez efeito e, em vez da "subida", o time Vale do Aço conheceu a queda para a Segunda Divisão do Campeonato Mineiro, sendo um time de primeira no Brasileiro.


Depois de Moacir Junior,
vieram Giba e Ricardo Drubsky, que também não conseguiram acordar o tigre, agora é a vez de Márcio Bittencourd tentar fazer algo. É difícil, mas não impossível.

Ambas equipes tem o mesmo objetivo, que é o de ver longe a Série B em 2009. A esperança é que as semelhanças já citadas continuem, dessa vez na continuidade na série A para 2009.
A situação do Ipatinga é muito mais delicada que a do Atlético, afinal ele é o lanterna do campeonato, enquanto o Atlético é o 12º colocado.

Hoje veremos em campo duas equipes desesperadas para tentar dar algum alento a seu torcedor. o que significa escapar o mais rápido possível da degola. O problema é que para as duas qualquer resultado ruim tende a alimentar as dificuldades ainda mais, o que não é bom.

Reforços cruzeirenses

Juan Pablo Sorín. Natural de Buenos Aires. Lateral-esquerdo, 32 anos. Gosta de se aventurar no meio-campo e tira onda de atacante. Defendeu a Argentina inúmeras vezes. Passou por Barcelona, River Plate e Lazio, entre outros. Estava no Hamburgo.

Mauro Sérgio Viriato Mendes. Nasceu em Fernandópolis-SP. Lateral-direito, quase 30 anos. Balançar as redes nunca foi o seu forte, mas possui quatro títulos nacionais. Convocado para a Copa das Confederações de 2003, não emplacou. Tinha vínculo com o São Paulo, mas seu último clube foi o Goiás.


Ambos defenderam o Cruzeiro no passado, foram campeões no clube e estão de volta. Um retorno cercado de desconfianças. Sorín se recupera de uma cirurgia no joelho direito, realizada no primeiro semestre. Só deve voltar no ano que vem.


Maurinho atuou pela última vez em 30 de setembro de 2007. Vitória do Goiás – 3 a 0 sobre o Botafogo. Pouco depois, foi devolvido ao São Paulo. Desde então, vinha treinando em separado.

Sorín foi campeão da Copa do Brasil, em 2000, e da Copa Sul-Minas, em 2001 e 2002 – ano em que saiu do clube pela 1ª vez. Com raça, ousadia e habilidade, conquistou a torcida. Mas isso foi há muito tempo. Voltou em 2004 e ficou apenas três meses.


Maurinho participou da gloriosa campanha da Tríplice Coroa e conquistou ainda o Estadual de 2004. Só que na memória da China Azul, ficaram marcadas as contusões e as confusões extra-campo.

Logo, é natural que se questione a contratação deles. O rival, por exemplo, trouxe no início do ano Marques e Petkovic – indiscutivelmente habilidosos, mas com idade avançada e um histórico de contusões. Onde eles estão agora?

Não estou "secando" os reforços da Raposa! Apenas não acredito mais neles. Torço, no fundo, para que não aumentem a lista de fracassos recentes do Cruzeiro. Ou alguém já se esqueceu de Reinaldo Alagoano, Apodí, Rômulo, Thiago Gosling, Marcel, Fabinho, Luís Alberto, Maicosuel, Marcinho, Camilo...?

Fabio Pinel escreve todas às sextas-feiras para o Blog do Meio-de-Campo.

11 de setembro de 2008

Charge Duke

Uma Verdade Inconveniente


"Ronaldinho Gaúcho é um ex-jogador em atividade."

A frase foi gritada por um homem, sentado à mesa de um bar onde acompanhava, pela TV, o chocho 0X0 entre Brasil e a Bolívia.

Depois de mais uma atuação absolutamente desnecessária, Ronaldinho foi substituído. Saiu de campo vaiado pela torcida que tinha se acostumado ao seu futebol-espetáculo. Ainda é possível rememorar vendo as imagens abaixo.

Todos no bar ficaram olhando para aquele homem e pensando em sua frase...

Charge Duke

Nota zero (a zero)

Depois da vitória por três a zero em Santiago, se esperava uma grande festa no Rio de Janeiro com uma goleada esmagadora pra cima da lanterna Bolívia. Certo? Certo! Mas não foi o que aconteceu. Pouco público, pouco futebol e a apatia que era marca da seleção nessas eliminatórias até a partida no Chile.

O pouco futebol não chega a ter um culpado. Seria injustiça cobrar de Dunga toda a competência que falta à CBF na hora de escolher o treinador da seleção. Jogar para Ronaldinho a responsabilidade de comandar um time que tem no banco um treinador que nunca havia estado por lá. Culpar um time que... Sim! Culpar um time todo seria uma opção, mesmo assim injusta. Acho difícil encontrar um culpado.

Agora, explicação fácil é a de pouco público. Pega-se um time que não inspira confiança, adiciona-se um horário pornográfico, num local que até mesmo o Capitão Nascimento teria receio de entrar com o Caveirão. Não fica difícil prever que apenas convidados e alguns loucos estariam por lá. E o que viram?! A apatia do time de Dunga e da CBF-Nike.

Com tão pouco público, ficou difícil mostrar uma camisa do Flamengo na arquibancada (já reparam como surgem camisas rubro-negras nas transmissões da Globo!). E eis que escuto que o Brasil com o Júlio Baptista é outro!!! Meu Deus! Claro que é outro! Se comparado a 58, 62, 70 e 82, até mesmo a 94 e 2002. Sempre disse que não gostaria de ver esse cara (não consigo considerá-lo jogador) em nenhum time de Minas (talvez no Meridional de Lafaiete).

A festa da equipe boliviana no fim do jogo (jogaram com um a menos desde os oito minutos do segundo tempo) não se refletiu na arquibancada. Tomara que na volta pra casa nenhum torcedor/celebridade tenha sido assaltado na linha amarela.


Cláudio Gomes escreve as quintas-feiras para o Blog do Meio-de-Campo.

10 de setembro de 2008

Títulos e dependência

Os três times da capital nutrem, há anos, uma dependência quase química de alguns profissionais. Composição entre treinador e equipe que deu certo em uma ou outra oportunidade, o que justifica a recaída.

Vejo agora o retorno do técnico Flávio Lopes ao América. Ah!!! Os torcedores vão se lembrar que ele foi campeão mineiro em 1993. Quinze anos se vão da façanha comandada em campo por Flávio e olha ele aí outra vez!

Os dirigentes invocam o perfil profissional do contratado, mas esquecem-se de outras fracassadas temporadas vividas com ele. E isso não é exclusividade do Coelho. Os outros dois times de Belo Horizonte também desenvolveram essa relação.

Atlético e Cruzeiro se viciaram em Levir Culpi na década de 1990. Essa dependência se estendeu pelos anos 2000. E os dois maiores de Minas tiveram bons motivos para voltar a se servir do treinador.

O primeiro a depender dele foi o Galo, campeão mineiro de 1995. Onze anos depois, Levir Culpi foi um dos responsáveis pelo resgate da dignidade alvinegra. Certamente, a qualquer turbulência no comando técnico do time, qualquer que seja o profissional que lá esteja, o nome do técnico campeão da Série B é lembrado. Vale citar também a procopiomania que parece ter sido superada.

A Raposa também se viciou em Levir Culpi, e foi em 1996, com o bi da Copa do Brasil. E usou o treinador em outras ocasiões até perder o título estadual para a filial de Ipatinga. Ali acredito que o clube estrelado tenha deixado de ser culpinômano. Mas, pelo mesmo motivo, o Cruzeiro já dependeu de Marco Aurélio, o técnico do tri da Copa do Brasil em 2000. Isso sem contar o PC Gusmão, subproduto de Vanderlei Luxemburgo.

E a dependência de Luxa seria a mais justificada, principalmente pela qualidade técnica do time campeoníssimo de 2003. Só que os dirigentes cruzeirenses agiram rápido e impediram que ela se instalasse na Toca da Raposa. Mas, para a china azul, a luxemburgomania ainda corre nas veias. Quem sabe um dia...

Eduardo Almada escreve às quartas-feiras. Envie seu comentário.

9 de setembro de 2008

Dunga e Lula

De: Dunga@cbf.org.br
Para: Lula@gov.br
Assunto: Valeu, Presidente

Querido Presidente,

Este é um e-mail de agradecimento. Isso mesmo, nessa minha curta carreira de treinador de futebol, todos os dias eu aprendo uma coisa nova. E a última que aprendi foi a fazer preleção. Não sei se senhor sabe, mas preleção é aquela palestra que os treinadores fazem antes das partidas para incentivar os jogadores. Pois é, juro que nesses dias que antecederam o jogo contra o Chile eu andava sem inspiração. Não sabia o que falar para estimular aqueles caras que já tem mansão, carrão, mulherão enfim, todos os “ãos” com que é possível alguém sonhar.

Na verdade eu estava preocupado mesmo é com o meu emprego. Sei que meu desempenho não era dos melhores, e que meu chefe já estava me olhando de um jeito esquisito. E olha, o que não falta é gente pra puxar seu tapete. Ou melhor, o meu tapete. Bem, voltando à falta de inspiração, eu estava lendo um jornal de 25 centavos (afinal de contas, com o emprego ameaçado, eu tinha que pensar no futuro e , economizar) quando vi sua entrevista, criticando os jogadores da seleção e elogiando os argentinos. Pensei: Pirou de vez. Mas olhei de novo e estava tudo lá: “Para Lula, falta um pouco de alma aos jogadores brasileiros, ao contrário do que acontece com os argentinos”. Nem pensei duas vezes, saquei uma nota de 5 reais, arrematei o estoque de jornais populares da banca, distribuí para os jogadores antes da partida e avisei: hoje não tem preleção, leiam a entrevista do Presidente da República.

Bom o resultado o senhor já conhece: Brasil 3 , Chile zero. E o meu emprego garantido. Obrigado Presidente, te devo uma.

Email de Dunga para Lula, imaginado por Túlio Ottoni, que escreve às terças-feiras no blog do Meio de Campo.

8 de setembro de 2008

Chile 0 x 3 Brasil

Valeu, Dunga (e Lula)! Afinal, deu para matar as saudades de um autêntico camisa nove, coisa que anda escassa nestes tempos de jogar com três volantes e do Grêmio na liderança do Brasileirão com um futebol burocrático.

Foi bom ver Luís Fabiano brigando dentro da área do Chile pelo alto e por baixo. E meter dois gols com marca de matador. Certo que o camisa nove chileno, Suazo, perdeu um gol-feito na cara do Júlio César, mas futebol tem disso. Quem não faz leva – como assegura o ditado que repetimos confiantes, ainda que ele desafie a lógica como conclusão. Afinal, há os empates!

Mas a lógica tem pouca coisa a ver com futebol. Como entender que Robinho perca outro gol-feito, depois de fazer tudo certo e limpar para a perna esquerda? Ou que Ronaldinho, que põe a bola onde quer, perca um pênalti?

Depois do jogo, foi divertido ver o Dunga respondendo aos jornalistas em duas línguas, revelando um espanhol que, se não é lá nenhum primor, deu para o gasto. E com direito a alfinetadas na mídia tupiniquim – e no mandatário do Palácio do Planalto – quando desabafou que o Brasil é a única seleção do mundo que tem que vencer, marcar muitos gols e dar espetáculo. Valeu. Você escolhe melhor as palavras que as camisas, comandante!

Pois é. Falo por mim e possivelmente por outros quase 180 milhões de torcedores. Ficamos mal acostumados mesmo. Gostamos de vencer e marcar muitos, belos gols. Espero que técnicos e jogadores que disputam a série A tenham assistido à partida. Quem sabe não cismam de resgatar um pouco do futebol que faz a gente até esquecer que a segunda-feira já está em curso quando tiramos mais uma latinha da geladeira? E sem ter que dirigir depois!

Saudações!

Alexandre Freire

PS: A partir de hoje e todos os dias, a equipe do Meio de Campo deixa uma opinião para os telespectadores que vierem nos visitar aqui. Deixe seu comentário! Às terças, é vez de Túlio Otoni.

7 de setembro de 2008